Os donos de supermercados estão otimistas com os rumos da economia. Pelo menos foi esse o discurso na abertura da 36ª Mercosuper - Feira e Convenção Paranaense de Supermercados, nesta terça-feira, 18. O evento vai até a quinta-feira no Expotrade Convention Center, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) e pretende movimentar R$ 520 milhões.
Para o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, a recessão está no fim. "Uma crise dura normalmente cinco anos e alguns números já dão sinais de que esse período crítico esteja encerrando. A palavra-chave é otimismo. O empresariado precisa investir, gerar emprego, para fazer a economia girar", discursou.
Zonta reconhece que a crise corroeu o poder de compra das famílias e acarretou uma mudança brusca nos hábitos de consumo. "O consumidor ficou mais exigente, excluiu o supérfluo e se mostrou mais fiel às marcas de sua confiança, já que não se pode errar em tempos de orçamento apertado", disse.
Segundo ele, a Operação Carne Fraca, que entre outras coisas investiga a adulteração da carne por grandes frigoríficos no País, não interferiu nas vendas do produto. "Além de ser um item que está na mesa dos consumidores, acho que a maneira como se deu a Carne Fraca foi de uma infelicidade tamanha, já que a maioria dos frigoríficos trabalha corretamente. Se o produto fosse ruim, as pessoas teriam inúmeras intoxicações", alegou.
O empresário defendeu as realização de reformas no País, mas afirmou considerar injusta a da Previdência porque os trabalhadores da iniciativa privada são preteridos em relação aos servidores públicos. "Pelo que vejo na prática, são raros os trabalhadores da iniciativa privada que recebem o teto pago pela Previdência Social, mesmo aqueles que são descontados durante toda uma vida. A média é de R$ 1,6 mil. E, pelo que tenho de informação, em 35 anos de contribuição dos trabalhadores da iniciativa privada, eles acumulariam o suficiente para pagar por décadas de vida desse aposentado. O que gera a distorção são os valores pagos pela Previdência Social aos demais regimes de contratação", disparou Zonta.
Na visão dele, o texto da reforma que está na Câmara Federal vai trazer reflexos negativos para a economia como um todo. "Com menos dinheiro, há menos consumo. Falo por um setor que é o primeiro a refletir o início de uma crise ou de uma recuperação. Prova disso foi a liberação do saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que já impactou positivamente no desempenho dos supermercados", afirmou.

MOVIMENTAÇÃO
A 36ª Mercosuper reúne cerca de 190 supermercadistas e varejistas do ramo alimentício e tem meta de movimentar R$ 520 milhões. "O evento está na agenda do nosso segmento a ponto de cada participante ir estruturando promoções específicas para esses três dias, visando aprofundar as parcerias que já possui e prospectar novas", comentou Zonta.
Este é o caso da indústria de papel higiênico Sepac, que produz as marcas Duetto, Paloma, Stylus e Maxim. Há 40 anos no mercado, ela participa da feira desde a primeira edição e pretende movimentar entre R$ 10 milhões e 15 milhões. "Nossa empresa trabalha com uma política de preços agressiva no varejo o ano todo e somos a marca líder no Paraná. Porém, sempre investimos em um pacote específico de ações para a Mercosuper por conta da importância do evento para nós e nossos clientes", reconhece o gerente comercial responsável pela operação na região Sul, Oswaldo Ramos Júnior.
Cerca de 45 mil pessoas (35% a mais do que em 2016) devem passar pela Mercosuper. O lançamento de produtos e tecnologias, além de palestras são pontos altos do evento.
No Paraná, o setor supermercadista emprega 102 mil pessoas e fatura aproximadamente R$ 1,8 bilhão por mês. Cerca de 40 milhões de pessoas são atendidas mensalmente pelos supermercados no Estado.

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