Apras diz que Curitiba não absorve novas redes
O mercado de Curitiba não tem espaço para todas as grandes redes de supermercados que estão anunciando instalações na cidade. A avaliação é do presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Ruy Senff ao comentar o impacto da inauguração do hipermercado da rede Real, o Big Shop, prevista para a sexta-feira. Ele afirma que as vendas permanecem nos mesmos patamares do ano passado, o que significa que o mercado não apresenta crescimento e o movimento será dividido entre as redes já existentes e as que estão chegando.
Além da inauguração do Big Shop, está prevista a inauguração de uma terceira loja do Carrefour na cidade no segundo semestre e a chegada da rede norte-americana Wal-Mart. Recentemente foi inaugurada uma loja da rede Pão-de-Açúcar, o hipermercado Extra no bairro do Cristo Rei, o primeiro a atender o consumidor 24 horas por dia.
Senff acredita que a vinda das grandes redes deve estar associada ao crescimento da cidade e da região metropolitana, em função da expansão industrial e da chegada das empresas do setor automotivo. Só que o crescimento da cidade não ocorre do dia para a noite, e as grandes empresas supermercadistas já estão aí, disse o presidente da APS. Para Senff, as grandes redes estão apostando num crescimento que ainda vai acontecer, mas ainda não aconteceu. E certamente elas irão tirar fatia das empresas supermercadistas já instaladas.
Senff observa que não existem milagres. Ele diz que não acredita que as grandes redes farão mais promoções para atrair o consumidor do que as empresas já fixadas estão fazendo. Qualquer nova empresa será mais uma colega a disputar um mercado muito competitivo, ressaltou. Senff disse que a APS ainda não fez um levantamento para dimensionar o mercado em Curitiba, mas pretende fazer essa pesquisa, incluindo a participação de supermercados menores e também do interior, para orientar novos investimentos.
Como proprietário do supermercado Parati, um grupo instalado há 105 anos em Curitiba, Senff disse que os supermercados já exitentes estão equipados para disputar o mercado com as grandes redes. Segundo ele, as lojas vão oferecer preço e bons serviços e quem vai ganhar com a concorrência será o consumidor. Senff acredita na fidelidade do consumidor e lembra que se os supermercados já conhecidos do grande público continuarem a oferecer preço e qualidade no serviço oferecido, dificilmente vão perder mercado para as grandes redes.
Na avaliação de Ruy Senff, o setor supermercadista cresceu muito com o plano Real, mas depois houve uma acomodação e esse ano o setor deverá repetir o crescimento do ano passado. A Associação Brasileira de Supermercados prevê para 1998 um crescimento de 2,5% nas vendas, em função de novas ações mercadológicas adotadas neste ano, como a abertura das lojas aos domingos e pelo sistema de vendas 24 horas.Arquivo FolhaSinal de alertaSenff, presidente da Associação de Supermercados: Mercado não vai crescer de um dia para outroVânia Casado





