Curitiba A partir de agora, Ponta Grossa será uma área retroportuária para exportação de madeira. A intenção da Administração dos portos de Paranaguá e Antonina (APPA) é utilizar dois armazéns na cidade como depósito para o produto ser estocado antes do embarque, aumentando assim a capacidade do porto na exportação da madeira. Uma reunião, ontem, entre a APPA e empresários do setor madeireiro na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) discutiu a implantação do Corredor da Madeira. Os armazéns já devem receber mercadorias até o final do ano.
Segundo o advogado da APPA responsável pela implantação e coordenação do Corretor, Paulo Artigas, os dois armazéns vão ter capacidade para armazenar 300 mil metros cúbicos de carga. A idéia é trazer para Paranaguá parte da carga que hoje sai pelos portos de Santa Catarina. 'Hoje o interesse público mostra que é preciso atender este setor. Estamos buscando este mercado, que está em ascensão'', explicou. Artigas explica que o projeto não cria somente um novo local de armazenagem, mas também vai diminuir gargalos logísticos que existem na expotação do produto.
Os armazéns que serão usados pela APPA pertencem à prefeitura de Ponta Grossa. O muncípio vai cedê-los e, em troca, a mão-de-obra contratada pelo porto será local. ''A parceria faz parte de um plano de geração de renda e trabalho'', afirmou Artigas. Segundo o advogado, a APPA deve investir em melhorias nos armazéns, porém nem o valor e nem de onde vem a verba estão definidos ainda. ''Em princípio a APPA vai aportar o dinheiro. Mas vamos ver se a iniciativa privada não se interessa'', afirmou o advogado. ''Vamos apresentar o projeto e ver a receptividade do setor'', completou.
Para o vice-presidente da Fiep, Odair Ceschin, a iniciativa é de fato necessária ao setor. ''A exportação de madeira está sofrendo hoje por causa de problemas no mercado e pela alta no dólar. O valor agregado do produto é pequeno. Então qualquer despesa a mais onera bastante, reduz o lucro'', explicou.
Apesar da necessidade de se incrementar a exportação de madeira, a Appa afirma que esse vem sendo um dos principais destaques dos dois portos nos últimos dois anos. Dados da Appa dão conta que entre 2003 e 2004, o porto teve um aumento de 1 milhão de toneladas no segmento. Só no porto de Antonina, as exportações de madeira cresceram 187% no acumulado de 2005 em relação ao mesmo período do ano passado.

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