São Pau­lo - O su­pe­rin­ten­den­te da Ad­mi­nis­tra­ção Por­tuá­ria de Pa­ra­na­guá e An­to­ni­na (Ap­pa), Da­niel Oli­vei­ra de Sou­za, afir­mou que a me­ta do go­ver­no é co­me­çar em fe­ve­rei­ro o pro­ces­so de dra­ga­gem emer­gen­cial pa­ra apro­fun­dar e cor­ri­gir o ca­nal de Ga­lhe­ta, prin­ci­pal en­tra­da do por­to.
  ‘‘O por­to já tem as li­cen­ças am­bien­tais, o pro­je­to de en­ge­nha­ria e os re­cur­sos em cai­xa. ­Além dis­so, te­mos a von­ta­de e sa­be­mos da ne­ces­si­da­de de dra­gar o ca­nal. Que­re­mos ini­ciar o tra­ba­lho até ­fevereiro’’, afir­mou Sou­za. Se­gun­do ele, a ad­mi­nis­tra­ção tra­ba­lha pa­ra que os gar­ga­los ­mais crí­ti­cos do por­to se­jam so­lu­cio­na­dos até mar­ço, quan­do en­tra a sa­fra de so­ja. ‘‘A po­li­ti­za­ção exa­cer­ba­da atra­pa­lha­ram as dis­cus­sões téc­ni­cas no ­porto’’, re­co­nhe­ce o su­pe­rin­ten­den­te.
  O pra­zo pa­ra que as em­pre­sas in­te­res­sa­das em rea­li­zar a dra­ga­gem apre­sen­tas­sem ­suas pro­pos­tas ter­mi­nou quar­ta-fei­ra (14). Ago­ra, o por­to es­tá fa­zen­do a aná­li­se téc­ni­ca e ju­rí­di­ca das pro­pos­tas re­ce­bi­das, que de­ve ser con­cluí­da até o dia 20. No iní­cio da pró­xi­ma se­ma­na, a equi­pe do por­to en­via­rá a re­co­men­da­ção pa­ra o go­ver­na­dor do Es­ta­do, Ro­ber­to Re­quião, que de­ve­rá ava­liar e po­de­rá au­to­ri­zar a ad­mi­nis­tra­ção por­tuá­ria a con­tra­tar re­cur­sos em cai­xa pa­ra a dra­ga­gem emer­gen­cial. A ex­pec­ta­ti­va é ini­ciar o tra­ba­lho dez ­dias ­após a as­si­na­tu­ra do con­tra­to.
  O su­pe­rin­ten­den­te ex­pli­ca que as chu­vas em no­vem­bro e de­zem­bro (con­cen­tra­das no li­to­ral) pro­vo­ca­ram for­tes res­sa­cas no mar e o as­so­rea­men­to do ca­nal, agra­van­do os pro­ble­mas na Ga­lhe­ta. ‘‘Em 60 ­dias, o as­so­rea­men­to foi cin­co ve­zes ­maior que o his­tó­ri­co de um ­ano’’, afir­mou. Ele re­co­nhe­ce a ur­gên­cia do pro­ces­so e con­cor­da que, sem a dra­ga­gem, a ex­por­ta­ção dos ­grãos se­rá in­via­bi­li­za­da, es­pe­cial­men­te, de­pois da des­trui­ção de par­te do por­to de Ita­jaí, tam­bém em fun­ção das chu­vas. ‘‘Se es­tes ­dois por­tos do ­País ti­ve­rem pro­ble­mas se­ria um ­caos ­logístico’’, afir­ma. En­tre­tan­to, ele des­ta­ca que o por­to deu res­pos­ta ao cres­ci­men­to das ex­por­ta­ções bra­si­lei­ras. ‘‘Há ­seis ­anos, o fa­tu­ra­men­to era de R$ 4 bi­lhões. E ho­je é de US$ 13 ­bilhões’’, afir­ma.
  ­Além da dra­ga­gem de emer­gên­cia, a ad­mi­nis­tra­ção por­tuá­ria man­tém ­mais ­duas fren­tes de tra­ba­lho, rea­li­za­das em con­jun­to com a Se­cre­ta­ria Es­pe­cial dos Por­tos: a dra­ga­gem de ma­nu­ten­ção nos ber­ços de atra­ca­ção e na ­área de fun­deio (on­de os na­vios aguar­dam pa­ra atra­car), fei­ta com re­cur­sos da pró­pria ad­mi­nis­tra­ção por­tuá­ria; e a dra­ga­gem de apro­fun­da­men­to do ca­nal, que se­rá fei­ta com re­cur­sos da Se­cre­ta­ria Es­pe­cial de Por­tos (SEP). Se­gun­do ele, o por­to foi in­cluí­do no Pla­no Na­cio­nal de Dra­ga­gem por ser con­si­de­ra­do um dos ­seis por­tos es­tra­té­gi­cos do ­País. Sen­do uma das prin­ci­pais ­vias de es­coa­men­to da sa­fra bra­si­lei­ra, os tra­ba­lhos pa­ra apro­fun­da­men­to e dra­ga­gem tam­bém são acom­pa­nha­dos pe­la Se­cre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra do Pa­ra­ná e o Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra.
  A rea­li­za­ção da dra­ga­gem do ca­nal aten­de­rá a uma an­ti­ga de­man­da dos ex­por­ta­do­res, já que o as­so­rea­men­to e de­for­ma­ção do ca­nal ocor­rem há cer­ca de dez ­anos. Em 2006, o por­to lan­çou edi­tal pa­ra con­tra­ta­ção de dra­ga­gem em ca­rá­ter emer­gen­cial, mas o pro­ces­so foi em­bar­ga­do na jus­ti­ça. (F.G./A.E.)

mockup