Curitiba - No final da tarde de ontem a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) expediu uma nova ordem de serviço (número 031/2006) limitando o embarque de soja transgênica no porto. Com a medida, o superintendente da Appa, Eduardo Requião, assegura o direito a todos os terminais de armazenar e escoar a soja transgênica desde que ela seja separada da soja convencional. Porém, o escoamento só será feito por um dos três berços do Corredor de Exportação. Com isso, a capacidade de escoamento de soja será reduzida a um terço, ou seja, 3 mil toneladas/hora e não o total de 9 mil toneladas/hora.
  O silo público também não pode ser usado para a armazenagem de soja transgênica. Isso só poderá ser feito pelos terminais privados que atuam no porto.
  O advogado da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Marcelo Teixeira, disse que a decisão será discutida entre os representantes dos terminais. ‘‘O mais provável é que não haverá aceitação’’, afirmou. Caso os terminais não aceitem a ordem de serviço, Teixeira vai à Justiça na próxima semana para que seja cumprida a decisão da Justiça Federal que determina que todo o porto pode ser utilizado para o armazenamento e escoamento de soja geneticamente modificada.
  A ordem de serviço determina ainda que a Claspar fará o controle da separação entre a soja transgênica e a convencional desde o recebimento, armazenagem e embarque. A Appa determinou que todas as correias transportadoras deverão receber tratamento de higienização realizado pelos próprios terminais e fiscalizados pela Claspar e Appa.
  Toda a movimentação da oleaginosa, visando garantir a separação entre a soja convencional e a transgênica receberão a fiscalização da Claspar e da Appa. A ordem diz ainda que a soja transgênica deverá ser enviada ao porto previamente certificada.
  Ontem, 35 caminhões descarregaram soja transgênica no porto. A chegada do primeiro navio para embarque, com destino à Europa, está prevista para o dia 25 de abril. O navio deve ser carregado na capacidade máxima, com 60 mil toneladas. A estimativa é que o porto receba soja modificada não apenas originária do Paraná mas também de Estados como o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e ainda do Paraguai.O presidente da ABTP, Wilen Manteli, disse que vai pedir aos terminais para que contabilizem os prejuízos para entrar com uma ação contra a Appa.

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