Contrato de concessão do terminal, renovado em 2016, prevê investimentos de R$ 1,1 bilhão em 25 anos
Contrato de concessão do terminal, renovado em 2016, prevê investimentos de R$ 1,1 bilhão em 25 anos | Foto: TCP/Divulgação



A confirmação da assinatura de um contrato vinculante de compra pela estatal chinesa China Merchants Port Holdings Company Limited (CMPORT) de 90% da operadora de instalações portuárias brasileira TCP Participações, que opera o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), foi recebida de forma positiva pela Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina). O negócio, anunciado na noite do domingo, 3, envolve R$ 2,9 bilhões.

Embora a mudança de mãos não afete o cronograma de investimentos previstos no contrato de concessão da TCP, renovado em dezembro de 2016, a decisão chinesa de investir no terminal, segundo a Appa, consagra a melhora na infraestrutura e na produtividade do Porto. "Não foi à toa que eles (CMPORT) decidiram por Paranaguá que atualmente manda ou traz 60% da carga destinada ao continente asiático", diz o diretor-presidente da Appa, Luiz Henrique Dividino.

A concessão dada pelo governo para a TCP explorar o terminal prevê investimentos de R$ 1,1 bilhão em 25 anos. "Acredito que todos os usuários do porto vão pegar carona positiva no modelo de gestão de uma gigante mundial na operação de portos. Os chineses não olham apenas para o resultado financeiro da operação. Eles querem ampliar a operação em novos mercados de forma estratégica para a China", ressalta Dividino.

De acordo com ele, entre os fatores que fizeram os chineses investirem em Paranaguá, dois se destacam: o fato de a TCP deter o maior encoste ferroviário do Brasil e a produção de proteína animal, agrícola e alimentícia paranaense. Segundo o material divulgado para a imprensa, a CMPORT também destaca as "excelentes condições de navegação oferecidas por Paranaguá".

NEGOCIAÇÃO
O acordo entre a CMPORT, a Advent International ("Advent") e os acionistas fundadores da TCP Participações ("TCP") foi anunciado na noite de domingo, em meio a uma reunião dos BRICs - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Pelo acordo, a CMPORT adquire 50% das ações da TCP que pertencem à Advent International e 40% das ações da empresa que pertencem aos acionistas fundadores da TCP – Galigrain S.A. ("Galigrain"), Grup Maritim TCB S.L. ("TCB"), Pattac Empreendimentos e Participações S.A. ("Pattac"), Soifer Participações Societárias S.A. ("Soifer") e TUC Participações Portuárias S.A. ("TUC").

Advent, Galigrain e TCB venderão a totalidade de suas ações, enquanto Pattac, Soifer e TUC manterão, juntas, 10% do capital da empresa. Trata-se de um dos maiores negócios já realizados no setor de terminais de contêineres na América Latina. A transação ainda está sujeita a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A previsão é de que o processo seja concluído até o final deste ano.

"A China Merchants Port é uma das empresas de maior destaque no setor portuário em todo o mundo e estamos muito entusiasmados em tê-los como novo acionista majoritário da TCP. Certamente a China Merchants contribuirá muito nessa nova etapa de crescimento da empresa, aproveitando as sinergias com os diversos terminais operados pelo grupo no mundo e oferecendo sua experiência global para os clientes da TCP", afirmou o CEO da TCP, Luiz Antonio Alves, que permanecerá liderando a empresa.

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