App orienta domésticas sobre direitos
Dentre os finalistas do Desafio de Impacto Social da Google, duas iniciativas são do Sul, e vão receber R$ 650 mil cada. Uma delas é um app voltado a trabalhadoras domésticas com informações sobre seus direitos, calculadora de salário, telefones e uma rede que a conecta a outras trabalhadoras. "São cerca de 8 milhões de mulheres que trabalham dentro das casas e têm dificuldade de informação sobre os seus direitos", comenta a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza de Oliveira. Segundo Creuza, muitas vezes o smartphone é o "único meio de comunicação das trabalhadoras domésticas dentro dos lares". "É importante o aplicativo porque todas as trabalhadoras domésticas têm celular, então elas terão acesso com facilidade."
O aplicativo está sendo desenvolvido pela Themis, uma entidade sem fins lucrativos do Rio Grande do Sul criada por advogadas e cientistas sociais para combater a discriminação contra mulheres no sistema jurídico. Conforme Creuza, muitas trabalhadoras domésticas ainda trabalham sem carteira assinada e enfrentam jornadas de trabalho exaustivas, acima do permitido pela lei. "Há trabalhadoras que depois de 10, 15 anos trabalhando na mesma casa são dispensadas e continuam trabalhando lá dois dias por semana sem vínculo empregatício."
CVV
Outro aplicativo que partiu do Rio Grande do Sul é do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional atendendo pessoas em situações de risco, atuando na prevenção do suicídio. Antônio Carlos Braga dos Santos, do CVV, explica que hoje a entidade possui apenas 70 postos físicos espalhados pelo Brasil, nos quais se revezam 2 mil voluntários em esquema de plantão. Cada ligação é direcionada a um posto específico, que perde ligações se o voluntário estiver ocupado. Cerca de 1 milhão de chamados são atendidas ao ano, mas com o aplicativo a expectativa é poder, em dois anos, triplicar esse número, já que a ferramenta transformará o smartphone do voluntário em um posto de atendimento, totalizando então em 2 mil postos. Assim, os voluntários também poderão atender de onde estiverem, seja via telefone ou SMS.
"Apesar de estarmos todos conectados uns aos outros, as pessoas não conseguem ouvir umas às outras. Um dos tristes resultados disso é um suicídio a cada 40 segundos. Através do app, qualquer pessoa, no momento do sofrimento - que não tem lugar, nem hora, nem dia -, vai poder fazer contato com o CVV, e a fila de espera, que não pode esperar, talvez se reduza", comenta Santos. (M.F.C.)





