São Paulo - Apenas duas instituições, o Crédit Suisse First Boston e a LCA Consultores, das 12 ouvidas pela Agência Estado, apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará um corte mais ousado na taxa Selic na reunião da próxima semana. Enquanto 10 instituições esperam um corte cauteloso de 0,5 ponto porcentual, o CSFB aposta em uma redução de 1 ponto porcentual e a LCA, de 0,75 ponto porcentual.
O economista-chefe do CSFB, Rodrigo Azevedo, justificou um corte de 1 ponto porcentual por dois fatores. Desde a última reunião do Copom, houve apreciação do real. Do ponto de vista do BC , o comportamento da moeda é um fator determinante para o comportamento da inflação, ponderou Azevedo. Como o BC previa inflação de 4,5% para uma taxa de câmbio de R$ 2,94, a apreciação do real abriu espaço para um índice inflacionário menor. As atuações diárias do BC no mercado de câmbio, com compra da moeda norte-americana, não alteraram a avaliação de Azevedo.
O segundo fator, segundo ele, é a recuperação do consumo lenta, o que indica uma retomada balanceada da atividade econômica, sem o risco de pressionar os preços. As primeiras prévias para os índices de inflação de janeiro, de acordo com Azevedo, embora tenham vindo acima das expectativas, indicaram que o núcleo de médias aparadas ficou abaixo do núcleo de dezembro. Seria mais um sinal, de acordo com CSFB, de que o Copom poderia adotar um comportamento mais ousado na reunião da próxima semana.
O economista Ricardo Denadai, da LCA, justificou um corte de 0,75 ponto porcentual basicamente em função do cenário externo extremamente positivo para o Brasil. ''Apesar do discurso moderado do BC, as condições são muito favoráveis'', disse, destacando a forte de entrada de recursos no País.
Sem perspectiva de mudanças nesse cenário, Denadai acredita na continuidade de apreciação do real frente ao dólar. ''O BC vai ter de suar a camisa para elevar a taxa de câmbio para R$ 2,90/R$ 2,95'', afirmou.

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