As perspectivas de crescimento do mercado mundial de papéis são fundamentais para o projeto de expansão da Klabin, salientou o presidente da indústria Miguel Sampol. A empresa trabalhou com sua capacidade máxima durante 2006 e produziu 1,4 milhão de toneladas de papel. Em 2005, a Klabin exportou em volume 567,3 mil toneladas para mais de 50 países de todos os continentes. Com 18 unidades, sendo 17 no Brasil e uma na Argentina, a empresa produz papéis cartões para embalagens, caixas de papelão ondulado, sacos industriais e madeira em toras.

Folha - O que faz a Klabin ter a certeza de que este mercado comporta grandes investimentos?
Sampol - Certeza não temos, na realidade somos investidores e nossos acionistas admitem riscos. Se não admitissem estaríamos mal. Não é a certeza, são algumas convicções. É uma convição baseada em alguma vivência de negócio. O mercado de embalagem cresce junto com a economia. Metade do papel produzido no mundo, em torno de 360 milhões de toneladas, é embalagem. Se crescer 3,5% como tem crescido anualmente, cada ano serão necessárias mais 6 milhões de toneladas. Então é uma conjugação disso com a convicção que temos de ser competitivos ou não.

Folha - Dentro do mercado de papéis qual o setor deve crescer mais?
Sampol - Somos focados na idústria de papel de embalagem. Estamos implantando em capacidade de cartão. Cartão tem que ser segmentado, cresce bem.

Folha - A febre aftosa e a gripe aviária chegaram a prejudicar as vendas de embalagens, cujo destino era para exportação de carnes e frangos?
Sampol - Houve flutuações. No momento em que houve a febre aftosa e gripe aviária tivemos nossas vendas atingidas porque vendemos embalagens para as indústrias que exportam esses produtos. Hoje normalizou.

Folha - Qual avaliação o senhor faz do desempenho da Klabin em 2006?
Sampol - Nos saímos bem, mantivemos nossas operações. Classifico os resultados como bons, mas poderiam ser melhores porque também fomos afetados pelo câmbio; foi um ano muito importante por causa da nossa decisão de investimentos. Pessoalmente, se você me perguntar se estou satisfeito com o crescimento do economia brasileira, vou dizer que não.

Folha - Qual a expectativa em relação à economia para 2007?
Sampol - Que a economia vai crescer. Acho melhor se gastar o tempo para tomar medidas que farão o país crescer 4% do que ficar falando que vai crescer 5%. Tomara que cresça 5%. Comparando, se tivesse um processo de crescimento da Klabin a empresa teria todas as condições industriais para atender as necessidades; então nós nunca temos um pensamento negativo de que não vai crescer porque nós achamos que vai crescer.

Folha - Qual o faturamento da empresa em 2006?
Sampol - Temos uma estimativa de que vamos ficar com R$ 2,8 bilhões líquido.

Folha - A Klabim tem grandes florestas utilizadas para sua matéria-prima, existe a possibilidade de ampliar também as florestas nativas?
Sampol - A questão de reserva legal e área de preservação permanente são reguladas por lei. E nós seguimos a lei ou mais. Agora, a questão de aumentar depende muito de áreas a serem compradas, tem que respeitar rios, nascentes, áreas inclinadas, topo de morro, depende da qualidade da área. Nós, no mínimo teremos as reservas que são obrigatórias por lei.

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