Aposta no black embute alto risco
Arquivo FolhaPorto seguro?Dólar paralelo voltou a ser refúgio contra a temida volta da inflação ou medidas econômicas fortesOs investidores retomaram o apetite por dólar no câmbio negro, novamente um refúgio para quem teme a volta da inflação ou medidas mais fortes na economia. Interessante como reserva de valor, o dólar parece caro demais como investimento. Ademais, a compra é feita pela cotação mais alta, de R$ 2,10 na sexta-feira, e a venda pela mais baixa, de R$ 1,90, uma elástica diferença de 10,5%. É o tamanho da desvantagem do investidor logo na largada.
O dólar turismo deverá custar, a partir de hoje, o mesmo preço cobrado pelo dólar movimentado no câmbio comercial. A padronização de cotações deriva da unificação dos câmbios, decisão tomada pelo Banco Central na semana passada.
Até agora, os bancos trabalhavam com duas contas: a comercial, em que predominam os negócios de comércio exterior, e a flutuante, que abastece de dólar a demanda de turistas. A dupla contabilidade perdeu sentido depois que o BC adotou o regime de flutuação do câmbio e deixou de intervir no mercado. O câmbio único possibilita ainda que os dólares de uma conta atendam à demanda de outra.
Em tese, a decisão do BC tenderia a favorecer o turista, porque o dólar flutuante, que abastece o turismo, tradicionalmente é mais caro que o comercial. Na prática, a disparidade pode continuar ocorrendo. Na terça-feira, quando foi anunciada a unificação, o flutuante veio abaixo de R$ 1,92, nível onde estava, para emparelhar-se com o comercial, em R$ 1,90. Mas na sexta-feira, com a disparidade das cotações em clima de forte instabilidade, o flutuante fechou em R$ 2,00, abaixo da cotação de R$ 2,07 do comercial.





