Curitiba - Roupas de ginástica nem tão grandes, a ponto de atender o gosto das norte-americanas mais moderninhas, e nem tão pequenas, de modo a agradar o estilo das brasileiras com idade acima dos 30, adeptas de modelos mais comportados. Foi essa a brecha encontrada pela arquiteta curitibana Lenize Gulin, em 2000, para entrar no mercado do fitness, já bastante saturado.
A procura por um diferencial que destacasse sua marca entre os produtos convencionais não parou por aí. A partir do ano passado, ela passou a focar sua produção em duas atividades específicas, Yoga e Pilates, fazendo roupas para seus praticantes. ''Essa decisão mudou toda a cara da nossa roupa'', conta ela, que em outubro do ano passado apostou na abertura de uma loja própria da sua marca, a ''Fitlee Emotionwear'', localizado no Batel, bairro nobre de Curitiba, uma importante ferramenta para aumentar as ainda tímidas vendas no Brasil.
Lenize conta que a idéia surgiu quando morava nos Estados Unidos. ''Minhas amigas gostavam das minhas roupas de ginástica, que eram do Brasil. Comecei a levar para elas, mas a modelagem não agradava. Elas reclamavam que a calça era muito baixa, e ficavam puxando, o top não cabia'', diz. Foi aí, que com base em seus conhecimentos de design como arquiteta, a experiência pessoal em academias de ginástica, e a importante ajuda do amigo estilista Edson Korner, do Serviço Nacional da Indústria (Senai), que ela passou a desenvolver suas primeiras peças.
''É uma modelagem mais generosa, porque foi desenvolvida para o mercado americano. Lá eles prezam mais o conforto da atividade física, do que só a beleza da roupa. Eu fiz um meio-termo. Um top, por exemplo, além de ser bonito, tem que ter boa sustentação'', explica.
Outra decisão importante para diferenciar a marca foi a escolha por uma linha mais voltada à prática da Yoga e Pilates, que resultou na coleção ''wellness'', com novos cortes e estamparias. ''Quem pratica e gosta de um esporte gosta de usar uma roupa que remeta ao estilo de vida que ela pratica'', diz. Como exemplos, mostra camisetas e calças com figuras de mudras (posição das mãos na yoga) e estampas de movimentos de pilates.
''Não é nada muito gritante. Foge do Fit, que chega antes da pessoa na academia. É uma linha mais mais elegante, com uma cartela de cores, que oferece opções de combinação, sem deixar de lado características importantes para a prática esportiva, que são a elasticidade, durabilidade e conforto térmico'', afirma.
A produção ainda é pequena, de 2 mil peças por ano, sendo 80% vendidas no mercado americano. Nos Estados Unidos, a venda é feita, principalmente, pela internet, através do site da marca, e dentro do próprio nicho do mercado, ou seja, em estúdios de Pilates e Yoga e boutiques dirigidas. No Brasil, ela ainda estuda a melhor maneira para aumentar as vendas. ''A partir do ano que vem quero pensar na distribuição da marca, se vou vender em academias, em lojas multimarcas'', afirma.
Além das roupas, a loja de Curitiba dispõe de mais dois pontos de atração para os clientes: o Jardim Zen e o Espaço Equilíbrio. Nesses espaços, ela pretende receber professores e alunos para aulas ao ar livre, e especialistas em temas que impliquem qualidade de vida, para fazer palestras gratuitas ao público.

mockup