Mesmo não sendo novidade, os caixas eletrônicos ainda provocam desconfiança, principalmente em pessoas de mais idade, desacostumadas ao uso de máquinas. Nos bancos, basta uma rápida olhada para perceber que muitos aposentados se sentem inseguros. A maioria deles, porém, procura a ajuda dos atendentes, que em todos os bancos se apresentam uniformizados e com crachás para prestar o atendimento adequado e orientar os que ainda não se adaptaram ao serviço eletrônico. Num sinal de que estão em alerta, dois aposentados nem responderam às perguntas quando foram abordados pela reportagem.
A reação de um deles foi de preocupação e, imediatamente, sem dizer uma só palavra, o homem que aguardava para fazer uma operação na máquina se afastou e procurou ajuda de um dos atendentes. O outro, em tom de irritação, pediu que a repórter se afastasse e só realizou a operação, sozinho, depois que se sentiu seguro.
Os gerentes das agências não têm autorização para dar entrevistas, mas um deles, informalmente, afirmou que apesar da maioria estar consciente da necessidade de não aceitar ajuda de estranhos, existem ainda os casos de idosos que são enganados.
O mais intrigante é que, nestes casos, eles têm o dinheiro retirado por pessoas da própria família, que têm acesso às senhas, sem que o aposentado tenha conhecimento. Os casos são confirmados pela gravação das imagens e fotos registradas nos caixas eletrônicos. Nestas situações o banco não pode se responsabilizar por nada.
O gerente afirma que a maior parte dos aposentados não busca informações com estranhos. ''De cada dez aposentados, nove buscam ajuda dos atendentes'', afirma. Com horários de pagamentos diferenciados, caixas exclusivos e atendentes à disposição, eles não são enganados facilmente. Além disso, a maioria não frequenta caixas eletrônicos fora do horário bancário.
É o caso do aposentado Otacílio Romero, de 71 anos. Ele só vai para as agências em horário de atendimento, aprendeu rápido a lidar com as máquinas e, geralmente, não precisa da ajuda de ninguém. ''De vez em quando me confundo com as senhas e números, que são muitos, mas se precisar de ajuda só peço para os atendentes que estão com coletes e crachás do banco''.
A aposentada Adair Almudi, de 71 anos, aguardava na fila para fazer um depósito. Ela pediu ajuda para um atendente porque não sabe lidar com a e evito andar com dinheiro na bolsa. Só uso o cartão''.

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