Aparecida (SP) - O Encontro Nacional dos Aposentados, ontem, em Aparecida (SP), convocou a categoria para uma marcha a Brasília (DF) em abril. ''Vamos invadir o Congresso Nacional, invadir o Supremo Tribunal Federal, para pressionar o governo. Estamos velhos, mas não estamos mortos'', disse o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), João Resende Lima. Cerca de duas mil pessoas estiveram no encontro.
A intenção é arrecadar um milhão de assinaturas pelo projeto de lei 58/2003, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que exige a revisão automática de todos os benefícios, acompanhando os índices do salário mínimo. ''Nossas perdas são mais de 50%.'' Até ontem o documento tinha cerca de 500 mil adesões.
O discurso de Lima teve o aval de Paim. ''Eu quero pedir uma grande marcha à Brasília, para que o Palácio ouça a voz dos aposentados.'' O senador defendeu a mobilização dos aposentados para recuperar as perdas e fazer com que o valor das aposentadorias tenham como referência o aumento do salário mínimo. ''A palavra de ordem é ocupar democraticamente o Congresso para pressionar o governo.'' Ele prometeu puxar a marcha. ''O Lula que me desculpe, mas o que me interessa é ser coerente. Posso até não ter legenda na próxima eleição, mas eu não tô nem aí. A palavra de ordem é a mobilização.''
O ministro da Previdência Social, Amir Lando, foi o alvo das reivindicações do encontro. Escutou os pedidos dos aposentados e as perguntas dos jornalistas. Ele falou da necessidade do recadastramento, sem confirmar a data que o processo será iniciado. ''Vamos começar no mês que vem, mas não vou estabelecer data para que não haja correria.''
A primeira etapa do recadastramento, segundo Lando, será com as informações repassadas pelas associações de aposentados e pelas agências de correios. Durante a coletiva, afirmou que a demora para o início do recadastramento é a resistência de alguns grupos. ''Temos resistências, resistências brutais, daqueles que estão extraindo vantagens ilícitas desse caos que está a base de dados da Previdência. Vamos cortar isso e colocar os ladrões na cadeia''.
Em discurso inflamado, Lando falou da necessidade da reforma da Previdência, sem aumento da carga tributária. Na saída, enfrentou protestos dos aposentados.

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