Brasília - O Ministério da Fazenda estuda propor ao governo pagar parte do adiantamento do 13º salário dos beneficiários da Previdência Social em duas parcelas. A primeira seria paga ainda em setembro (25%). A outra, em outubro (25%). Os 50% restantes viriam em dezembro, como já ocorre hoje. A ideia da equipe econômica é diluir o impacto do gasto (cerca de R$ 15 bilhões) no caixa da União ao longo do próximo bimestre. A presidente deve dar a palavra final sobre a medida.
Por falta de dinheiro, a Fazenda suspendeu em agosto o adiantamento dos aposentados normalmente pago até o início de setembro. O objetivo era pagar a conta somente em dezembro, quando o 13º salário é pago. O problema é que a antecipação de 50% do benefício entre agosto e o início setembro ocorre há nove anos, apesar de não ser obrigatório. A decisão gerou polêmica e o Executivo se viu obrigado a rever sua posição.
A antecipação será possível, conforme os cálculos do Tesouro, graças à receita extra que o governo terá com a aprovação, nesta semana, do projeto de reoneração da folha de pagamento e de recursos adicionais que virão de algumas das concessões públicas. São poucas, no entanto, as chances de que o governo possa contar com esses recursos antes de dezembro.
O Congresso também ameaçava aprovar norma obrigando o Planalto a antecipar a despesa. Se isso ocorresse, o governo assumiria o desgaste de não autorizar o adiantamento e ainda ser forçado a fazê-lo por intervenção do Legislativo. Outro foco de pressão veio do PT, pelo "custo social" da medida. Entre os argumentos da sigla está o fato de os beneficiários não terem sido avisados com "antecedência razoável" de que não receberiam o dinheiro agora e já teriam contraído dívidas.
No fim de semana, monitoramento feito pelo Executivo nas redes sociais mostrou uma forte reação contra a presidente da República diante dos rumores de que o adiantamento não ocorreria.
A falta de recursos em caixa não impediu o governo de pagar em dia a antecipação de metade do 13º salário aos seus próprios servidores, incluindo os aposentados.
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) e a própria presidente Dilma receberam a antecipação - em ambos os casos, no valor de R$ 15.467,35.

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