Aposentadoria é assunto para agora
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O melhor dia para começar a fazer o planejamento para a aposentadoria é ''ontem'', ou seja, quanto mais cedo o trabalhador pensar neste assunto, melhor preparado estará para este período da vida. Caso comece um plano de previdência privada com 25 anos guardando R$ 200 por mês, aos 65 anos terá R$ 1 milhão.
Ao iniciar essa poupança mais tarde, aos 35 anos, o valor mensal sobe para R$ 350 a R$ 400 e, se deixar para começar com 50 anos, a quantia a ser guardada por mês vai a R$ 8 mil, o que se torna impraticável. Quem começa com 25 anos, terá 8% do capital de depósitos e o restante de juros depois de um prazo de 40 anos. Ao iniciar com 50 anos, 92% do total será dinheiro depositado pelo poupador e apenas 8% serão juros. Isso significa que, quanto mais cedo inicia o plano de previdência, mais a capitalização de juros trabalha a favor da pessoa. As dicas são do planejador financeiro para a aposentadoria, Augusto Sabóia.
Ele explica que não precisa ser necessariamente um plano de previdência. Se a pessoa tiver disciplina suficiente pode poupar sozinha e escolher parte dos investimentos com aplicações agressivas e parte delas conservadora o que pode incluir previdência privada, ações, mercado imobiliário. Mas, vale lembrar que esse dinheiro não pode sofrer retiradas ao longo dos anos. ''O dinheiro não é da Maria de 20 anos, mas da Dona Maria. E tirar dinheiro de velhinha é muito feio'', brinca.
Ele recomenda que o poupador escolha um valor que não pese no orçamento mensal. Outra sugestão é engordar essa poupança com férias, 13º salário e bônus como Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Sabóia lembra que hoje as pessoas gastam mais na velhice porque a expectativa de vida é maior. E ainda os gastos são maiores com remédios e terapias. Para ele, não há como depender apenas do INSS.
Para quem não planejou a aposentadoria e já chegou próximo desta etapa da vida, uma das soluções é aposentar e continuar trabalhando. Segundo ele, muitas pessoas que chegam agora à época da aposentadoria não se prepararam porque viveram em um período de inflação muito alta e gastavam tudo que ganhavam. ''Há uma falta de cultura no Brasil de se preparar para a aposentadoria'', diz o especialista. Segundo ele, as formas de remediar são fazer um plano de previdência, vender um patrimônio ou arrumar um emprego extra.
A recomendação de Sabóia é ter três tipos de poupança diferentes para a aposentadoria, uma iniciada aos 25 anos com depósito de R$ 200 por mês, outra com os depósitos dos ganhos extras como férias, PLR e 13º salário. A terceira deve ser iniciada quando a pessoa se aposentar.
E para poder guardar dinheiro para a aposentadoria é preciso fazer sobrar no final do mês. Para isso, é fundamental realizar um planejamento do que a pessoa vai gastar, ou seja, um planejamento anual de compras e uma lista de ganho anual. ''Esse planejamento inclui saber o presente que você vai dar para o seu marido no Natal'', destaca.
''O problema não é que falta dinheiro. É que as pessoas gastam mais do que ganham e vivem um padrão de vida que compraram com artifícios como cartão de crédito, cheque especial e até dinheiro emprestado do irmão'', alerta.
''Tudo você pode comprar à vista. Por exemplo, basta guardar R$ 200 por mês durante dez meses para comprar uma tevê que custa R$ 2 mil. ''O cartão é o melhor negócio do mundo, mas é como uma faca. Não use para cortar os próprios dedos'', aconselha.


