Aposentado deve avaliar bem o crédito fácil
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Agência Estado 
Os aposentados são assediados a todo momento pelas campanhas dos bancos que oferecem empréstimos consignados em folha de pagamento. Para quem não resiste ao apelo das facilidades apontadas, como a liberação do dinheiro sem burocracia, os juros entre 1,75% e 3% ao mês, bem menores que as taxas cobradas por outras modalidades de crédito pessoal, e prazos elásticos, de até três anos, a oferta dos bancos pode representar o caminho de endividamento sem necessidade. O risco é o aposentado cair na tentação do empréstimo para a compra de algum bem supérfluo e ficar sem dinheiro para o momento em que realmente precisar dele, como no caso da compra de remédios.
O alerta é do consultor financeiro Cláudio Boriola, especialista em economia doméstica e direito do consumidor. Boriola explica que a taxa de juros para o desconto em folha é inferior à média cobrada pelo mercado por causa da segurança que os bancos têm para receber os valores, descontados na fonte. ''Geralmente são pessoas simples, que não têm o hábito de planejar seu orçamento, muitas recebem apenas um salário mínimo, de R$ 260,00, e ainda terão parte desse valor descontado na folha'', comenta o consultor. Ele defende uma política voltada para a educação financeira, que ensine a população a não se endividar, a administrar seus ganhos e despesas, a investir e valorizar o dinheiro.
O economista Marcos Silvestre, coordenador-executivo do Centro de Estudos e Finanças Pessoais (Cefipe), entende que o empréstimo consignado em folha de pagamento poderá ser uma boa opção se for usado para ajudar o consumidor a sair de dívidas mais preocupantes, como as do cheque especial, do rotativo do cartão de crédito e outros empréstimos com juros mais elevados.
Para que fique mais claro o que significa no bolso do aposentado que ganha um salário mínimo (R$ 260,00) o comprometimento de 30% de sua renda (limite máximo adotado pelos bancos) com o pagamento de um empréstimo por 36 meses, o coordenador do Cefipe fez os seguintes cálculos a partir de um caso hipotético: se o sonho desse aposentado for comprar uma televisão de 29 polegadas, tela plana, ele poderá obter um empréstimo máximo de R$ 1.838,00, para pagar em 36 prestações de R$ 78,00, supondo que o juro seja de 2,5% ao mês. No término do período, terá pago ao banco valor total de R$ 2.808,00. A diferença de R$ 970,00, quase um terço do que recebeu, corresponde aos juros que pagará ao banco.


