Após troca de farpas, ministros dialogam
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sábado, 14 de maio de 2011
Agência Estado 
Buenos Aires Os ministros de Indústria do Brasil, Fernando Pimentel, e da Argentina, Débora Giorgi, tiveram a primeira conversa telefônica, na noite da última sexta-feira, após as trocas de ríspidas correspondências nos últimos dias em razão das barreiras mútuas ao comércio bilateral, segundo a Agência Estado apurou junto a uma alta fonte do Ministério de Indústria da Argentina.
De acordo com a fonte, Débora afirmou que está disposta a negociar a abertura do mercado argentino para alguns produtos brasileiros, mas com a condição de que o Brasil suspenda a aplicação de licenças não automáticas para a importação de automóveis e libere os carregamentos que estão detidos na fronteira desde a quinta-feira.
A ministra teria dito a seu colega brasileiro que não se pode negociar sob pressão. Pimentel teria pedido um prazo de 48 horas para dar uma resposta a Débora. Uma reunião poderá ser marcada para o início da próxima semana, com o objetivo de iniciar o processo de negociação sobre os contenciosos comerciais entre os dois países.
Débora Giorgi rejeitou a proposta de Pimentel para realizar uma reunião de negociação em Brasília. E sugeriu um lugar mais neutro: em Foz do Iguaçu, na fronteira entre os dois países. É importante que os dois países se mobilizem para buscar um diálogo, disse a fonte ministerial à Agência Estado.
Ofensiva
Uma missão brasileira, presidida por Pimentel, esteve em Buenos Aires em fevereiro e fechou um acordo para tentar eliminar as barreiras a 200 produtos brasileiros que estão em regime de licença não automática, o que significa que dependem de autorização do governo argentino para entrarem no País. O acordo foi descumprido e o Brasil tentou agendar a ida de um interlocutor brasileiro para retomar as discussões, mas a data nunca foi marcada pela Argentina.
Por isso, o Brasil iniciou esta semana uma ofensiva para tentar forçar a Argentina a rever as barreiras que dificultam a entrada de produtos brasileiros naquele País. O Ministério do Desenvolvimento passou a reter as importações de automóveis. A medida também vale para outros países exportadores de veículos para o Brasil porque a Organização Mundial do Comércio (OMC) proíbe que medidas restritivas de comércio sejam impostas para apenas um País. No entanto, fonte do governo afirma que a liberação das importações dos outros mercados, que não o argentino, será de maneira acelerada. A fonte afirma que, se preciso, será usado todo o limite de 60 dias, permitidos pela OMC.


