O preço da cesta básica em Londrina recuou 4,42% em março, após subir 9,68% em fevereiro e romper a barreira dos R$ 1 mil para quatro pessoas. A baixa se deu, especialmente, pela queda de 40,57% no preço da batata, que também registrou a maior variação de valores no mês (215,19%), sendo vendida entre R$ 1,58 e R$ 4,98 o quilo. A queda de 2,33% no preço da carne, de 14,75% no do feijão e de 7,17% no valor do arroz também influenciaram no custo final do kit. A cesta para uma pessoa custou R$ 327,61 e para quatro pessoas, R$ 982,84.
Também sofreram redução de preços a banana (11,19%), o leite (6,83%), o café (3,09%), o açúcar (2,32%) e a farinha de trigo (0,36%). Dos 13 produtos pesquisados, quatro tiveram aumento no mês: tomate (10,52%), margarina (7%), pão francês (4,65%) e óleo (3,92%). A realização da pesquisa na última quinta-feira, dia 02, também contribuiu para o resultado, segundo o coordenador, Flávio Oliveira dos Santos. A carne, responsável por 40% do custo da cesta, por exemplo, foi encontrada em promoção.
"O ideal é que o consumidor fique atento às promoções que os supermercados fazem", alerta. Santos ressalta que os alimentos essenciais são os últimos produtos a sentirem os efeitos da crise econômica, porém, com os recentes acréscimos nas alíquotas de impostos, no preço dos combustíveis e da energia elétrica os custos devem inflacionar e, consequentemente, levar à redução do consumo.
"A pessoa começa a cortar pelo supérfluo; para chegar no arroz e feijão vai demorar um pouquinho, mas, com a alta dos impostos, acaba diminuindo o poder aquisitivo das pessoas", pondera. Na opinião da dona de casa Ivanilda Godinho "a carne está praticamente sumindo da mesa dos assalariados", em virtude do alto preço. Ontem, ela reparou apenas na diferença do valor da batata, que custava R$ 3,99 o quilo em um supermercado do centro da cidade. Há algumas semanas, o quilo chegou a custar
R$ 6,99 no mesmo local.
"A batata baixou, mas pelo que a gente sabe que pagam ao produtor, ainda é caro", reclama. Ivanilda aponta, também, o alto preço das hortaliças, como a alface, que estava custando quase R$ 5. "Vou ter que substituir essa semana", afirma. A doméstica Sirlei Moreira diz que diminuiu o consumo de carnes em casa e aumentou o de verduras e legumes. Para ela, a inflação exige mudança de hábitos. "Tem que consumir o mais barato, nem que seja ovo", declara.

Ajuste
O engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Carlos Alberto Salvador, diz que o preço da batata não sofreu uma queda, apenas está voltando a patamares considerados normais. A caixa de 50 quilos do produto fechou o mês de março cotada a R$ 58,10, enquanto no mês anterior era vendida a R$ 70,53 e em janeiro, a R$ 92,71.
"O preço subiu demais nos dois primeiros meses do ano por conta da escassez e da qualidade, que foi prejudicada pela chuva", explica. Agora, com 6% da área colhida no Estado, aumenta a oferta do produto no mercado e, consequentemente, o preço sofre redução. A tendência, de acordo com Salvador, é que baixe ainda mais. A produção de batata no Paraná se concentra em Curitiba (28%), Ponta Grossa (22%) e Guarapuava (20%).

Imagem ilustrativa da imagem Após recorde, cesta básica cai 4,42% em março
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