Após recessão, PIB cai menos do que o previsto
Rio de Janeiro Depois de encerrar 2015 na maior recessão dos últimos 25 anos, a economia brasileira encolheu menos do que o previsto no primeiro trimestre deste ano o último ainda integralmente sob comando do governo Dilma Rousseff, afastada em 12 de maio. O PIB (Produto Interno Bruto), medida da renda de bens e serviços produzidos no País, teve queda de 0,3% nos três primeiros meses de 2016 frente ao quarto trimestre do ano passado. Com isso, somou R$ 1,47 trilhão.
Quando comparado ao primeiro trimestre de 2015, o PIB teve um recuo de 5,4%. Economistas consultados pela agência internacional Bloomberg esperavam uma retração de 0,8% da atividade econômica frente ao quarto trimestre e de 5,9% na comparação ao primeiro trimestre de 2015.
Conforme os dados divulgados ontem pelo IBGE, a intensidade da queda foi também menor do que a verificada no fim do ano passado, quando a economia havia registrado uma retração de 1,3% (dado foi revisado de uma queda de 1,4% ).
Pelos critérios da FGV (Fundação Getulio Vargas), o ciclo de contração da atividade econômica, iniciado no segundo trimestre de 2014, ainda no primeiro mandato de Dilma, completou agora dois anos (oito trimestres). A recessão começou no segundo trimestre de 2014, com queda de 1,2%. No terceiro e quarto trimestres de 2014, o PIB ficou estagnado (0% e 0,2%, respectivamente). Depois, caiu por cinco trimestres seguidos.
DEMANDA
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve queda de 1,7% no primeiro trimestre, frente aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo foi mais intenso, de 6,3%. O consumo das famílias cai em meio ao aumento da inflação, a queda da renda e o crédito mais seletivo por parte dos bancos. A taxa de desemprego nacional foi de 10,9% no primeiro trimestre de 2016.
Na avaliação do economista da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Rodrigo Mariano, os dados divulgados pelo IBGE mostram um impacto forte provocado pelo desemprego e queda da renda, mas a expectativa é de uma estabilização pela frente (veja box).
Em nota, o Ministério da Fazenda avaliou que o resultado do PIB confirma a continuidade da "mais intensa recessão de nossa história". "As estatísticas das Contas Nacionais confirmaram que, no primeiro trimestre, como resultado essencialmente de desenvolvimentos domésticos, teve continuidade a mais intensa recessão de nossa história, a qual, dentre outros aspectos, gerou um contingente de 11 milhões de desempregados", diz o ministério em nota divulgada ontem.
A expectativa da Pasta, entretanto, é de que, nos próximos trimestres, "em grande parte como consequência da implementação tempestiva de iniciativas recentemente anunciadas, deve ter início o processo de recuperação da economia brasileira".
A retomada do crescimento econômico segue incerta. Economistas começam a perceber sinais de que a economia brasileira começou a caminhar para uma estabilização, citando melhora no número de emplacamentos de carros e nível de estoques. Em relatório, o Itaú prevê uma nova queda do PIB no segundo trimestre deste ano e uma "relativa estabilidade" a partir disso. Apesar disso, o banco prevê uma retração de 4% do PIB brasileiro em 2016.






