Brasília - Depois de oito semanas seguidas de alta, a projeção central do mercado financeiro para a inflação em 2011 teve uma pequena queda, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central (BC), divulgada ontem. Pelo levantamento, a expectativa do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 6,37% para 6,33%. Outra notícia boa foi a segunda queda consecutiva na previsão para a inflação nos próximos 12 meses, de 5,34% para 5,27%.
Já o cenário para 2012 segue estabilizado com previsão de 5% de alta para o IPCA, acima, portanto, do centro da meta, que é 4,5%. De qualquer forma, não deixa de ser uma situação mais favorável para o governo o fato de que há cinco semanas seguidas o mercado não eleva sua projeção para a inflação do ano que vem, a qual o BC deixou claro que se esforçará para colocar de volta no centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Avaliações internas do governo consideram que os dados da Focus divulgados ontem foram os primeiros sinais de confirmação do cenário que estava sendo traçado pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda em torno da inflação. A área econômica considera que a deterioração das expectativas estava muito vinculada aos dados da inflação corrente e que esse processo começaria a ser revertido após a safra de números mais elevados para o IPCA, encerrada na semana passada com a inflação de abril - que ficou em 0,77%, nível inegavelmente alto, mas abaixo da previsão central do mercado para o mês.
Mesma direção
Para o governo, com os dados do IPCA mais baixos a partir de agora, a tendência é as expectativas caminharem na mesma direção. Esse cenário leva em conta a colaboração não só da sazonalidade (o segundo e o terceiro trimestre tradicionalmente têm inflação mais baixa), mas também da queda recente das commodities e, sobretudo, do crescente impacto das ações de política econômica tomadas até agora - contenção de gastos públicos e do crédito ao consumo, além da elevação da taxa básica de juros, que, desde maio de 2010, já soma 3,25 pontos porcentuais, ajuste próximo do feito para combater o ciclo inflacionário de 2008, antes da crise internacional derrubar os preços em todo o mundo.
O estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, também enxerga um processo de redução das expectativas do mercado de agora em diante, mas avalia que há mais espaço para redução nas estimativas de 2012 do que para este ano. ''Não tem muita gordura para queimar em 2011, mas para 2012 tem'', afirmou.
Na visão dele, a despeito de a sazonalidade favorecer a inflação mais baixa nos próximos meses, o retorno da inflação mais para frente não se dará com tanta força, pelo acúmulo dos efeitos das medidas tomadas pelo governo, além da taxa de câmbio favorável.
Em relatório para clientes, Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, pensa diferente. Para ela, a melhora na Focus é apenas um ajuste que reflete o IPCA ligeiramente melhor que o esperado no mercado. ''Não indicando, portanto, uma melhora do quadro de deterioração das expectativas, mas apenas a substituição de um resultado efetivo um pouco melhor que o projetado'', disse a economista.
Para a taxa de juros básica (Selic), o mercado elevou a expectativa para o final de 2012, em 0,25 p.p., para 12,25% ao ano. Ou seja, os analistas esperam um tempo ainda maior de juros elevados no Brasil.

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