São Paulo - Os bloqueios causados por protestos de agricultores continuam em diversos Estados e já começam a ameaçar o abastecimento de produtos em algumas regiões. Em Mato Grosso, começam a faltar produtos nas prateleiras dos supermercados, como o óleo de soja, entre outros gêneros alimentícios. Incentivador do movimento ''Grito do Ipiranga'', iniciado em 21 de abril, o governador e produtor de soja e algodão Blairo Maggi (PPS) quer a suspensão das manifestações, que já afetam a arrecadação estadual.
O movimento de cargas nas estradas caiu 50%. Em decorrência da crise no agronegócio, o Estado fechará o ano com um déficit de R$ 600 milhões nas contas públicas, afirmou Maggi. O governador pediu aos presidentes de sindicatos rurais uma trégua ao governo federal nos bloqueios nas rodovias até a próxima quinta-feira, quando será anunciada a proposta da União aos pedidos de oito governadores, feito na terça-feira, para socorrer o setor agrícola.
''Peço este voto de confiança. Chegamos ao limite para o Estado não morrer sufocado. Reconheço a legitimidade do movimento, mas é hora de dar uma trégua'', disse Maggi. Apesar do apelo, os agricultores vão continuar mobilizados. A decisão foi tomada em reunião ocorrida ontem na Federação da Agricultura do Estado (Famato). ''Não vamos recuar, apenas avançar na nossa estratégia. Devemos continuar com os bloqueios somente de carga para não perdermos o foco do movimento. Precisamos de idéias e criatividade até nas reivindicações'', disse Rui Prado, presidente da Associação dos Produtores de Soja.
O protesto iniciado em Mato Grosso contra a política agrícola do governo teve adesão de agricultores em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Tocantins. ''Esta é hora de sermos inteligentes, vamos dar uma trégua, mas continuar mobilizados'', disse o presidente da Famato, Homero Pereira. Os pecuaristas do Instituto Nacional de Defesa Agropecuária de Mato Grosso aderiram ao movimento e fecharam 51 escritórios desde segunda-feira. Esses escritórios liberam a carne das fazendas para o abate.
Já no Rio Grande do sul os bloqueios causam desabastecimento no interior do Estado. Desde o início dos protestos, na terça-feira, várias cidades gaúchas começam a sentir o reflexo das paralisações nas rodovias estaduais e federais, causando transtornos para comerciantes, viajantes, universitários e o trânsito em geral.

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