De volta ao trabalho após 21 dias de greve nacional, os bancários paranaenses tiveram que enfrentar um movimento relativamente tranquilo em grande parte das agências de Curitiba, Londrina e outras cidades do Estado. Nas agências londrinenses do Centro, visitadas pela FOLHA, poucos clientes reclamavam das filas ou da demora no atendimento. Dos dez sindicatos bancários do Paraná, nove determinaram - através de assembleias - o término da paralisação ontem no início da manhã, após a proposta feita pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no sábado à noite. Apenas na Capital a assembleia aconteceu no domingo à tarde, onde estiveram reunidos 1,3 mil trabalhadores de toda a região metropolitana.
Wanderley Crivellari, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, confirmou que a movimentação de clientes foi pequena no primeiro dia pós- paralisação. Ele comentou que a permanência dos bancários nas salas de autoatendimento durante a greve foi importante para que os clientes continuassem a ser atendidos enquanto as 100 agências da cidade e região estavam fechadas. ''Isso fez com que o movimento de hoje (ontem) estivesse menor. Durante a greve, tivemos alguns problemas apenas em relação aos depósitos e acúmulos de outros serviços, que certamente durante esta semana serão normalizados.''
O sindicalista ressaltou ainda que os trabalhadores da cidade ficaram satisfeitos com a negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, que aconteceu em São Paulo. Entre diversos pontos discutidos, a categoria conquistou um reajuste salarial de 9% (aumento real de 1,5%), valorização do piso em 12% (4,3% de aumento real) e melhorias na distribuição da Participação dos Lucros e Resultados (PLR). O valor estipulado foi de 90% do salário mais R$ 1,4 mil em sua parte básica, além de complemento de 2% do lucro líquido do banco, com limite de R$ 2,8 mil. ''A proposta foi aprovada por ampla maioria. Negociamos por mais de 40 dias e estávamos recebendo negativas para tudo. Inclusive do governo, que dizia que o aumento dos salários poderia gerar inflação'', disse o presidente do Sindicato.
Movimentação
A maioria dos consumidores entrevistados pela FOLHA durante o giro pelas agências não teve problemas para efetuar suas transações direto dentro das agências. O funcionário de serviços gerais Cleison Gomes foi sacar seu FGTS e disse que a agência que frequenta sempre tem um fluxo grande de pessoas. ''Estou aguardando há um certo tempo na fila, mas o movimento está normal'', avaliou ele.
A cozinheira Maria Aparecida da Silva ressaltou que a greve dos bancários foi ruim porque ela não estava conseguindo sacar um pagamento. Entretanto, ontem ela fez a operação com bastante tranquilidade. ''Está bem sossegado, até porque muita gente ainda não sabe que o pessoal voltou a trabalhar.''
Já o vigilante Claudinei César do Rosário não estava satisfeito com o atendimento de sua agência. ''Estou esperando por mais de 45 minutos só para renovar uma senha do cartão. Concordo que os bancários busquem seus direitos, mas o consumidor não pode ser lesado.''
Carlos Neves Junior, coordenador do Procon de Londrina, relatou que os bancos provavelmente não irão cobrar juros de boletos que poderiam ser pagos apenas na agência. Em relação às filas, ele disse que o órgão trata com ''certa razoabilidade'' o aumento do fluxo de pessoas nos primeiros dias pós-greve. ''Se os juros forem cobrados, é recomendável quitar o débito para posteriores reclamações. No caso das filas, é importante guardar o comprovante de atendimento'', completou.

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