Rio - Uma parcela de 62% do crescimento da energia elétrica no Brasil previsto de 2009 até 2013 será com usinas térmicas, o que deve encarecer a energia e causar mais problemas de meio ambiente. Marcio Prado, analista do setor no Santander, preocupa-se com a excessiva dependência das usinas térmicas no Nordeste, movidas a óleo, que estão programadas para responder por 29,5% do crescimento da oferta de 2009 até 2013. Elas vão encarecer o preço da energia, são poluentes e têm enfrentado problemas na implementação dos contratos.
Os problemas do setor elétrico entraram em pauta com o apagão da terça-feira que atingiu 18 Estados. Para Prado, do ponto de vista da geração, parece não haver risco de faltar eletricidade no Brasil até 2013, já que a freada no PIB em 2009 criou folga no sistema. Ele nota, porém, que o ideal era que o aumento da oferta não fosse tão baseado nas térmicas a óleo.
''Existe uma incerteza sobre se todas essas térmicas vão entrar em funcionamento nos prazos previstos e, ainda que entrem, elas têm custo caro.'' Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que há atrasos em 19 usinas termelétricas com energia vendida para 2010 e 2011 em leilões do governo.
Aquele cenário de aumento da oferta até 2013 é uma projeção recente do próprio governo, realizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e inclui também a previsão sobre a evolução da demanda. Segundo as projeções, a oferta de energia no País deve crescer de 54.877 megawatts (MW) médios em 2009 para 68.712 MW médios em 2013, e a demanda de 51.845 MW médios para 64.664, no mesmo período.
O problema, porém, é que a diferença entre a oferta e a demanda previstas para 2013, de 4.048 MW médios, é quase idêntica ao aumento previsto entre 2010 e 2013 da energia das termelétricas a óleo do Nordeste, de 4.086 MW médios. Na verdade, o cronograma da oferta de energia dessas usinas parte de zero em 2008 para 4.770 MW médios em 2013. Nesse ano, portanto, sem aquelas usinas, o sistema operaria em condições apertadíssimas e, em caso de uma hidrologia ruim (poucas chuvas), haveria risco de apagões.
Essas previsões pressupõem um crescimento do PIB de 5% em 2010, e de 4% ao ano até 2013. Num cenário alternativo, estimado por Prado, no qual o PIB tenha uma vigorosa expansão média de 5,5% naquele período, mesmo com a implantação completa e nos prazos previstos das usinas térmicas no Nordeste, o sistema trabalharia sem nenhuma folga em 2013 - na verdade, haveria um pequeno déficit de 186 MW médios. Com um crescimento médio do PIB de 5%, mesmo com a implantação sem atraso das usinas termelétricas do Nordeste, a sobra de oferta em 2013 cairia para 1.516 MW, menos da metade da folga média de 2009 a 2013 prevista no cenário oficial do governo.
Prado diz que o governo parece estar atento ao risco da dependência excessiva das usinas térmicas a óleo. Assim uma das ideias por trás do leilão de energia eólica em dezembro é justamente a de garantir a substituição parcial daquelas usinas, caso alguns projetos não venham a ser concretizados.
Ele nota que as usinas eólicas demoram aproximadamente um ano e meio para serem construídas. Dessa forma, elas teriam condições de já estar prontas em 2012, quando a dependência das usinas a óleo se torna crítica. Até 2011, a sobra de energia projetada é bem maior do que a oferta prevista destas usinas. Em 2012, porém, a oferta projetada das térmicas do Nordeste, de 2.976 MW médios, é maior do que folga prevista (diferença entre oferta total e demanda total), de 2.976 MW médios.

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