Após ajuste, GOL projeta voltar a operar no azul
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
São Paulo - Atuando em um negócio que oferece reduzida margem de lucro, a GOL Linhas Aéreas vem tomando uma série de medidas para voltar a operar no azul. Embora tenha obtido um aumento de receita de 18,8%, de 2011 para 2013, e cortado 4.200 postos de trabalho no período, o prejuízo da empresa no ano passado ainda foi de R$ 724,6 milhões metade do verificado em 2012. Segundo balanço divulgado ontem, o prejuízo deste ano de janeiro a setembro - soma R$ 486,3 milhões, 31% menor que o do mesmo período do ano passado (R$ 705,3 milhões). As demais aéreas brasileiras também operam no vermelho há pelo menos três anos.
Na semana passada, a GOL reuniu jornalistas em São Paulo para um workshop. Durante o evento, o vice-presidente financeiro, Edmar Lopes, explicou que a maior parte dos custos das companhias aéreas, principalmente o de combustíveis, é cotada em dólar, enquanto a receita é em real. "Qualquer alteração no câmbio afeta fortemente o nosso negócio", explica. Segundo ele, o processo de ajuste da empresa exigiu a redução do número de voos em 15% nos últimos anos. Ao mesmo passo que a companhia vem investindo em novas rotas regionais e internacionais. "Temos de voar com o avião cheio. Há cinco anos, era comum se voar com 70% de ocupação, hoje, o porcentual mínimo aceitável subiu para 80%. Essa indústria depende da taxa de ocupação elevada em todo o mundo", alega.
O presidente da companhia, Paulo Sério Kakinoffi, diz que a empresa "tem orgulho" de ter popularizado a aviação civil no Brasil. Com 13 anos de existência, a história da aérea coincide com a melhora da renda no País e o surgimento da "nova classe média". "Quando chegamos, nós reduzimos as tarifas pela metade", declara ele.
Kakinoffi informa que, em 2003, 28% das viagens no Brasil eram feitas em avião e que hoje esse porcentual subiu para 59%. "Temos um mercado de 100 milhões de pessoas que viajam de avião por ano no Brasil. É o quarto maior do mundo", afirma. Nesses 13 anos, de acordo com ele, só a GOL vendeu 300 milhões de bilhetes, sendo que 14 milhões de pessoas viajaram pela primeira vez de avião com a companhia.
O presidente ressalta que há dois tipos de passageiros de avião no País, os de lazer e os corporativos. E que a GOL vem dando atenção a ambos. O primeiro compra com grande antecedência e tem a viagem subsidiada pelo segundo, cuja compra é bem mais próxima da data do voo. "Nós abrimos os voos com 330 dias de antecedência. Como temos mil voos por dia, estamos sempre com mais de 300 mil voos abertos, cujos preços são gerenciados diariamente." O sistema busca garantir que, na hora do voo, haja o maior número de passageiros a bordo, com a maior receita possível.
"O passageiro de lazer compra a passagem com antecedência maior que 90 dias. Ele se planeja principalmente em função do preço. É para esse público especial que fazemos as promoções de R$ 80 a R$ 100. Evidentemente que, se fôssemos completar o avião com esse público, o voo se tornaria inviável", afirma. Com uma aeronave para 177 pessoas, a receita no voo não chegaria a R$ 18 mil, dinheiro que, segundo ele, corresponde a não mais que duas vezes o custo do combustível usado somente na decolagem.
A combinação entre os passageiros de lazer e os corporativos é que, segundo o presidente, traz equilíbrio para o negócio. Conforme se aproxima a data do voo, a companhia vai subindo o valor do bilhete. A passagem de R$ 100, que foi cobrada com grande antecedência, vai chegar a R$ 700 para o cliente corporativo, que a adquire dias antes do embarque. "Os passageiros que viajam a negócio têm condições de arcar com a passagem mais cara e compensam os que viajam a lazer", afirma.
O jornalista viajou a São Paulo a convite da GOL



