O presidente Fernando De la Rúa conseguiu ontem fechar o acordo com os senadores do Partido Justicialista (também conhecido como ‘‘Peronista’’), da oposição, para acelerar a aprovação do orçamento nacional. Esta aprovação era uma das condições sine qua non do Fundo Monetário Internacional (FMI) para autorizar a ajuda financeira que a Argentina necessita para evitar a suspensão do pagamento da dívida externa no ano 2001.
Nos últimos dias, os senadores peronistas ameaçavam deixar o orçamento para a semana que vem, causando desespero no governo. Os senadores argumentavam que o orçamento deveria ser analisado ‘‘com calma’’. Os peronistas dominam amplamente o Senado. A demora na aprovação do orçamento ameaçava causar um atraso na liberação da ajuda do FMI, o que causava no governo temores de que a confiança dos mercados na Argentina voltasse a ficar em xeque. A missão do FMI em Buenos Aires alertou o governo, avisando que os prazos burocráticos deveriam ser respeitados, já que a diretoria do órgão se reúne, pela última vez no ano, dia 22 de dezembro.
O ministro da Economia, José Luis Machinea, elogiou a disposição dos peronistas em aprovar imediatamente o orçamento, e declarou que espera que as modificações prometidas ‘‘não sejam muitas’’. Machinea também disse que depois de estar resolvido o imbróglio do orçamento, o acordo com o FMI deverá estar sendo acertado na segunda-feira. O anúncio oficial sobre a quantia que o FMI concederia, no entanto, somente ocorreria no dia 20 de dezembro.
Machinea negou notícias sobre sua suposta inclinação a uma negociação bilateral com Estados Unidos, fora do Mercosul, segundo um comunicado do Palácio da Fazenda. O texto ressaltou que, ‘‘entre as prioridades da Argentina, o fortalecimento do Mercosul ocupa um lugar central’’. Machinea destacou que é nesse contexto que há alguns dias mencionou a conveniência do país, através do Mercosul e em conjunto com os demais países membros, acelere o processo de negociações com o Nafta (sigla em inglês do Tratado de Livre Comércio da América do Norte), sem excluir outros blocos, a fim de potencializar o crescimento da região’’.

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