O setor têxtil brasileiro espera ter este ano superávit de US$ 400 milhões na balança comercial – depois de quatro anos de déficit – ajudado, principalmente, pelos velhos exportadores, aqueles que aguentaram firme o período anterior à desvalorização cambial e que agora já possuem bases sólidas em grandes mercados para ampliar suas vendas.
É o caso da Vicunha e da Santista Têxtil, que, segundo seus diretores, insistiram em firmar parcerias nos competitivos mercados europeu e norte-americano, em meio aos solavancos dos anos 90, nos quais boa parte dos países foi inundada por produtos orientais de preço baixíssimo e qualidade duvidosa.
O presidente da Divisão Têxtil do grupo Vicunha, Ricardo Steinbruch, conta que o esforço exportador da empresa começou em 1997, dois anos antes da desvalorização cambial de janeiro de 1999. ‘‘Concluímos que com a entrada indiscriminada de produtos têxteis no Brasil, muitas vezes subfaturados, seria melhor investir no mercado externo, que exige qualidade, do que no interno’’, disse.
Segundo ele, os melhores mercados querem preço, sim, mas conferem antes de tudo competência na produção e constância na entrega. Foi nisso que a Vicunha investiu. ‘‘Depois da desvalorização do real ficamos mais competitivos, mas já tínhamos uma base consolidada.’’
Para ele, só quem trabalhou bastante na adversidade, antes de 1999, conseguirá agora ajudar o Brasil a melhorar o resultado da balança comercial na área de produtos manufaturados. ‘‘Salvo casos de paixão súbita entre cliente estrangeiro e algum produtor brasileiro, empresas que não investiram nos últimos anos em exportação não conseguirão, agora, virar esse jogo, mesmo com a melhoria cambial’’, avaliou.
A Vicunha quer exportar neste ano 15% da sua produção. No ano passado, vendeu 12% ao mercado externo, resultado que já foi 4,34% superior ao de 1998. Em 2001, a meta é 20%, mas dependerá de investimentos em aumento de produção – máquinas e pessoal.
Em rentabilidade, a desvalorização cambial não rendeu muito porque, conta Steinbruch, os preços de muitas matérias-primas, e também das máquinas, são em dólar. Além disso, ele conta que clientes são sempre ‘‘gananciosos’’ quando há variações cambiais nos países fornecedores. ‘‘O cliente sempre exige grande parte do ganho cambial.’’
Essa é outra das muitas razões que levam os grandes grupos a acreditarem que pequenos e médios negócios não se transformarão em exportadores da noite para o dia. ‘‘Só câmbio favorável não garante rentabilidade. ’’ Das exportações da Vicunha, 40% vão para a América do Sul e igual porcentual para os Estados Unidos. O restante segue para outros países, principalmente para os da Europa.

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