Curitiba - Uma viagem que serviria para rever a família e matar saudades da terra natal acabou se transformando num transtorno enorme para o libanês naturalizado brasileiro Adnan Mohamed El Charif, 60 anos. Em 1997 ele viajou para o Líbano, pela companhia aérea Aerolíneas Argentinas, e os problemas começaram antes mesmo do vôo decolar. Um atraso de sete horas fez Charif perder a conexão para o Líbano, que seria feita em Roma. Ao chegar na sua terra natal, Charif percebeu que toda sua bagagem havia sido extraviada.
Como se não bastassem os problemas enfrentados na ida ao Líbano, o retorno ao Brasil também teve tumulto. A mala que Charif tinha comprado para poder voltar ao Brasil chegou totalmente rasgada durante o vôo e a bagagem - coisas novas que tinha adquirido lá para repor o que havia sido extraviado - foi toda roubada. ‘‘Na minha bagagem havia coisas que dinheiro nenhum pagaria, como as fotos de formatura do meu filho e outras lembranças pessoais’’, lembra.
Charif procurou a única agência em Curitiba que representa a Aerolíneas, mas diz que foi tratado com total desprezo. ‘‘Sou um empresário, pai de família, um homem responsável e não merecia ter sido tratado daquela forma’’, desabafa. Como a empresa não atendeu às reclamações, Charif recorreu à Justiça.
Em 1999 saiu a sentença, depois de todos os recursos possíveis. A Justiça deu a Charif o direito de receber uma indenização equivalente a 100 salários mínimos. Porém, o oficial de Justiça nunca encontrou nenhum responsável pela empresa ou algum bem para penhorar e fazer frente ao pagamento determinado pela Justiça.
O advogado de Charif, Elias Mattar Assad, explica que diante da falta de bens para penhora, ele encontrou duas alternativas para fazer com que a determinação judicial seja cumprida. A primeira delas é enviar um oficial de Justiça na agência que comercializa as passagens da Aerolíneas Argentinas para penhorar o dinheiro das vendas de bilhetes da companhia, até atingir o equivalente a 100 mínimos.
A outra alternativa, mais radical e que também é admitida, seria pedir a falência da companhia aérea. O advogado explica que a lei permite que esse pedido seja feito porque a falta de bens para cumprir uma determinação judicial também pode caracterizar processo de falência.
Segundo a advogada da Aerolíneas Argentinas, Vergínia Cordeiro, a empresa ainda não pagou a indenização devida porque não foi oficialmente citada. Ela diz que a citação deveria ser feita nos escritórios do Rio de Janeiro, São Paulo ou Rio Grande do Sul, já que em Curitiba existe apenas uma representação comercial. Mas garante que mesmo sem a citação oficial, que deveria ter sido feita via carta precatória, a Aerolíneas está autorizando o pagamento, que deve ser feito nos próximos dias.
A advogada lembra ainda que a Aerolíneas Argentina é a empresa aérea internacional que mais mantém vôos no Brasil e que em hipótese alguma deixaria de atender uma decisão judicial.

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