Após 20 anos, parque industrial ainda não tem asfalto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Duas décadas após a criação do Parque Industrial Buena Vista, na saída para Ibiporã, os empresários que se instalaram no local ainda sofrem com a ausência de infraestrutura básica: não dispõem de asfalto, meio-fio, nem de galeria pluvial. O empreendimento, que é particular, foi autorizado pela Prefeitura de Londrina tendo como base a legislação da época, 1997, que não exigia do loteador o fornecimento de toda a infraestrutura.
O presidente da Associação dos Amigos e Empresários do Parque Industrial Buena Vista (Associbuena), Jorge Enrique Aburaya, conta que negociou com a administração municipal anterior para que as obras fossem realizadas pelo Município e cobradas das empresas de forma parcelada como contribuição de melhoria. "Fizemos várias reuniões, inclusive com o prefeito (Alexandre Kireeff). Nosso projeto (para a construção das galerias pluviais) foi aprovado. Mas até hoje nada foi feito", afirma.
Aburaya também reclama do fato de o Município, há 20 anos, ter permitido a abertura de um loteamento industrial, sem acesso adequado. Para chegar à área, é preciso ir pela BR-369 até Ibiporã, depois retornar para Londrina. De um total de 180 lotes, apenas 43 empresas se instalaram no local. Nesta segunda-feira (13), a reportagem da FOLHA foi ao parque, que estava tomado pela lama, devido à chuva. "Se tivesse mais infraestrutura aqui, com certeza teríamos mais empresas instaladas. São muitos terrenos vazios", diz Aburaya.

LOTEADORA
Responsável pelo loteamento, a Porto Bello Imóveis considera cumpridas as exigências para fornecimento de água e iluminação pública, além de cascalho ou moledo nas vias. O diretor da empresa, Rodolfo Lessa, admite duas pendências para a regularização do parque, mas diz que a culpa por elas é do Município. Uma das pendências é a doação pela empresa de um terreno e uma caixa dágua para a Prefeitura. "Por questões burocráticas, a Prefeitura ainda não recebeu a nossa doação", alega.
A segunda pendência, segundo ele, é a construção de galerias numa parte do terreno, onde ocorreu erosão. "Fizemos um acordo com a Prefeitura para realizarmos essa parte das galerias, mas ainda não começamos as obras porque a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) não as liberou", ressalta. Lessa garante que todos os empresários que compraram lotes no local sabiam da infraestrutura disponível.
Contatado pela reportagem no final da tarde desta segunda-feira, o atual presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Nado Ribeirete, disse que não poderia checar os questionamentos feitos pela Associbuena até o fechamento desta edição. Ele também afirmou que o Município não tem condições financeiras para realizar as obras. "A única solução que eu vejo é que os empresários se cotizem e contratem uma empresa para fazer os serviços." De acordo com Ribeirete, a administração não quer "criar falsas expectativas" para os empresários.
O ex-presidente da Codel, Bruno Veronesi, afirmou que as negociações com os empresários do Buena Vista foram conduzidas pelo ex-secretário de Obras, Walmir Matyos. A reportagem ligou várias vezes para ele, que não atendeu o celular. Também não foi possível localizar o ex-prefeito Kireeff.


