Enfeitar a noiva para apresentá-la a um pretendente. É assim que uma fonte ligada à administração da Sercomtel explica a necessidade do aporte de R$ 47,6 milhões pedido aos sócios da empresa: o Município de Londrina e a Copel. Noutras palavras, a telefônica precisa ganhar musculatura para tornar-se interessante aos olhos de um comprador. Se fosse colocada hoje em leilão, seria arrematada a preço de banana.
Ontem, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) decidiu criar uma comissão para estudar o pedido de aporte. O grupo, ainda não nomeado, deve ser composto por representantes da Prefeitura, Sercomtel, Copel e da sociedade civil. "Não há previsão orçamentária para esse fim. O valor aportado pode oscilar e ser menor do que o previsto dependendo de uma série de acontecimentos operacionais", afirmou Kireeff, por meio da assessoria de imprensa.
Apesar da cautela em comentar o assunto, o prefeito entende que o aporte é necessário e já até conversou com o governador Beto Richa (PSDB), que também seria favorável à medida. Como o Município detém 55% das ações da Sercomtel e a Copel, 45%, a Prefeitura entraria com R$ 26,18 milhões e a companhia estadual com R$ 21,42 milhões.
De acordo com o diretor administrativo-financeiro da telefônica, Claudemir Molina, o aporte é necessário para a expansão dos serviços pelo Paraná. "Atualmente, a empresa atua em 42 cidades paranaenses e, até o final do ano, pretende atingir 79 municípios. Além disso, o objetivo do aporte é manter a empresa saudável e com seu valor de mercado atualizado, pois empresa que não investe, acaba se desvalorizando", justifica.
A Sercomtel é a única operadora pública de telefonia do País e concorre com gigantes como Tim, Claro e GVT. Conforme mostrou a FOLHA em reportagem de abril do ano passado, a Sercomtel Fixa teve prejuízos em seis exercícios desde 2001, num total de R$ 38,6 milhões. A Celular também teve resultado negativo em seis exercícios neste período, num total de R$ 36,3 milhões. Somados, são quase R$ 75 milhões, sem correção.
"Na verdade, (desde o início da década de 2000), os prejuízos de toda a Sercomtel chegam próximo de R$ 120 milhões", disse a fonte que preferiu não se identificar. O valor, sem correção, corresponde a 65% dos recursos obtidos pelo Município com a venda de 45% das ações da empresa em 1998 (R$ 186 milhões).
"Por ser pública, a Sercomtel já tem dificuldade para competir com as outras operadoras. E tem ainda a questão política. A empresa sempre foi usada para acomodar indicados dos partidos políticos, dos vereadores, dos prefeitos, de gente que não entendia nada de telecomunicações", ressalta.
A fonte afirma que as duas empresas coligadas de TV a cabo, a Adatel de Osasco (SP) e a de São José (SC), são verdadeiros "drenos" de dinheiro da Sercomtel. "São empresas com tecnologia sucateada, que acumulam prejuízos, e também só serviram como cabide de emprego. Por que não foram vendidas?", questiona. A atual direção da empresa abriu processo para leiloar as duas coligadas. Os leilões estão marcados para 26 de abril.
Segundo a fonte, a administração municipal estuda algumas opções para o futuro da Sercomtel. "A melhor seria a fusão com a Copel, que tem fibra ótica em todo o Paraná e poderia passar a oferecer telefonia também. Seria uma saída honrosa para Londrina", diz. Colocar a empresa à venda não é uma hipótese descartada. Mas, mesmo após o aporte e a expansão dos serviços para os 79 municípios previstos, não há certeza quanto ao interesse das grandes operadoras pela Sercomtel.
Caso a Prefeitura conclua que o aporte é necessário, ele terá de ser aprovado pela Câmara. Já a privatização ou fusão da empresa demandariam a realização de um plebiscito popular.
A assessoria de imprensa da Copel informou que a empresa recebeu o pedido do aporte e que ele está sendo analisado.

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