Apoio da ONU a transgênicos muda política no Brasil
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terça-feira, 10 de julho de 2001
Herton Escobar Agência Estado 
A declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) a favor dos alimentos transgênicos deverá pesar nas decisões políticas sobre o tema no Brasil, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Borges, representante titular do Ministério da Agricultura na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Apesar disso, temos de nos ater à legislação e às decisões judiciais vigentes no Brasil, destaca.
O ministério, diz Borges, é também favorável aos transgênicos, desde que sejam atendidas as exigências de biossegurança da CTNBio. O Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU defende a pesquisa com alimentos transgênicos para combater a fome no Terceiro Mundo. As discussões sobre organismos geneticamente modificados que estão ocorrendo nos EUA e na Europa ignoram as preocupações e necessidades dos países pobres, diz o documento.
Produtivas Segundo a avaliação da ONU, as lavouras transgênicas são mais produtivas e baratas. Isso porque são mais resistentes a pragas e requerem uso reduzido de defensivos agrícolas. Além disso, podem ser mais nutritivas, com o acréscimo de vitaminas e proteínas nos alimentos. Experiências nos EUA, Canadá e Argentina confirmam essas vantagens, afirma Borges.
O posicionamento da ONU, no entanto, não esfriou a determinação do Greenpeace de fazer oposição aos transgênicos. Segundo a diretora-executiva da organização no Brasil, Marijane Lisboa, o relatório é extremamente ingênuo ao endossar a propaganda enganosa das multinacionais que comercializam esses produtos. Os argumentos usados pela ONU não são confirmados por nenhuma pesquisa séria.
O pesquisador Elíbio Rech, da Embrapa, discorda. Ele considera legítimas as preocupações com relação aos transgênicos, mas garante que a tecnologia é segura. E benéfica. O mundo consome transgênicos há cinco anos e até hoje nunca foi constatada nenhuma evidência de que isso causou algum problema.
Rech admite que há riscos envolvidos com qualquer nova tecnologia, mas o custo-benefício é sempre positivo. Os antibióticos também podem causar problemas, mas veja quantas vidas eles salvam, compara.


