A diferença entre alavancar um negócio e encerrar a atividade: para o comerciante José Salviano Furtado, o acesso ao microcrédito significa uma economia de 20% a 30% em seu negócio. Há 25 anos ele tem uma barraca, na Rua Sergipe, onde comercializa alho. Segundo Furtado, a matéria-prima pode ser comprada a prazo, mas se a venda for feita com dinheiro, à vista, a mercadoria sai mais barata. ''O alho dura de seis meses a um ano, então compro bastante quantidade. Com dinheiro na mão consigo negociar um preço melhor, pego promoções'', comenta.
Há tanto tempo no mesmo ponto, ele já tem clientela fixa. Chega a vender até 800 quilos de alho por mês. De funcionários ele diz que não precisa, mas como gosta de ajudar o próximo, tem um ajudante já idoso, que não tinha qualquer renda antes. ''Também não pretendo sair da rua, conheço gente em loja que vende menor do que eu'', diz. Ontem, o comerciante conseguiu o seu quinto empréstimo: R$ 1 mil, que serão usados na compra de mais alho. ''Consigo economizar com este dinheiro'', comenta.
Os empréstimos foram obtidos por Furtado na Casa do Empreendedor, que trabalha exclusivamente com microcrédito produtivo. Sem o órgão, talvez o vendedor não tivesse acesso ao dinheiro porque a maioria dos bancos financia apenas negócios que já estão formalizados. As financeiras poderiam ser uma opção, mas com as altas taxas de juros o empréstimo poderia ficar inviabilizado. O órgão foi criado há dez anos por iniciativa da Prefeitura e hoje atua como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público sem fins lucrativos (Oscip).
A Casa do Empreendedor tem por objetivo apoiar negócios que gerem emprego e renda. Os empréstimos liberados são de, no máximo, R$ 10 mil (para compra de equipamentos) e R$ 5 mil (para capital de giro). O empréstimo pode ser pago em até 18 prestações. Para conseguir algum recurso é preciso entrar em contato com a Casa do Empreendedor com documentos pessoais. Um agente de crédito da casa fará uma visita no local de trabalho do interessado, que terá também que responder a um questionário sócio-econômico.
A liberação ainda está sujeita à aprovação de um conselho, com integrantes de várias entidades da sociedade civil. O conselho se reúne duas vezes por semana. Outra exigência é que o interessado não tenha cadastro em órgãos de restrição ao crédito. Os juros cobrados são de 3,98% ao mês, aplicados conforme a tabela Price. ''Implantamos um projeto para as ongs que trabalham com reciclagem e que geram emprego e renda. Neste caso, os juros são subsidiados em 1,75% ao mês'', informa Rubens Bento, gerente administrativo e financeiro da Casa do Empreendedor.
Comemoração - Ontem foi realizada solenidade para comemorar os dez anos de atuação da Casa do Empreendedor. Para o prefeito Nedson Micheleti (PT) o órgão é importante porque ajudou a melhorar a renda de milhares de famílias. ''A Casa apoiou vários empreendimentos através da liberação de recursos para investimentos'', disse. A solenidade contou com a presença de autoridades e de microempresários que foram beneficiados pelo microcrédito.

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