As intenções da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro), recém-criada no Paraná, por iniciativa de um grupo de pesquisadores de Londrina, são o tema de reportagem especial da página de Agribusiness, amanhã. Não adianta usar de eufemismo para justificar a criação da Fapeagro. Indisfarçavelmente, ela emerge da crise das instituições oficiais. E vem, em boa hora, para suprir falta de recursos na pesquisa e no ensino, que não conseguiram ser exceção num quadro de iminente falência do setor público. As Fundações tentam conferir mais dinâmica à administração da atividade técnico-científica, coisa que as instituições, presas às amarras burocráticas, não conseguem.
- Uma avaliação superficial resumiria um quadro mais ou menos assim: sobram talento, competência e seriedade entre os pesquisadores que servem a essas instituições. Mas, às instituições, enquanto órgãos de governo, falta dinamismo e mobilidade para captar recursos e pôr em prática ou difundir esse conhecimento.
- Se fossem dez anos atrás, o primeiro obstáculo estaria na cabeça dos próprios cientistas: era o receio de somar com a iniciativa privada. Quanto mais substancioso o curriculum, menor a chance de aproximação com as empresas. Essa cultura rotulada de pretenso amor próprio e extremado zelo ético foi dissipada nos primeiros anos de crise. A realidade se encarregou de apagar o que era cultural e, em muitos casos, ideológico. A angustiante falta de perspectiva sobrepõe a tudo, inclusive ao ideologismo.
- Mas, voltando à razão das fundações. Há um ‘‘estoque’’ de tecnologia e uma comunidade científica dotada de alto nível criativo. Gente competente demais para ficar enclausurada à mercê de políticas que não priorizam a C&T. Por que não aproveitar a onda neoliberal e adequar os meios? As fundações são o meio para que conhecimentos acumulados - e obtidos com recursos públicos - sejam aplicados e resultem em benefícios comuns.
- Fundações como a Fapeagro, se bem compreendidas pelo setor privado, vão pôr para fora o que as instituições de pesquisas têm de melhor. E quando se propõem a executar um projeto em parceria vão buscar soluções onde elas existam, inclusive na própria iniciativa privada. Todos saem ganhando. O País ganha. É preciso apostar na eficácia dessa Fundação dotada de uma estrutura enxuta e sobretudo ágil. Coisa que o setor público não tem.
- Sem contrariar os objetivos institucionais, sem paralelismo, mas atuando no sentido de viabilizar projetos e captar recurssos as fundações podem salvar patrimônios que valem bilhões e disponibilizam conhecimentos que podem mudar a face desse País, via agroindústrias mais competitivas e setor primário melhor qualificado. Pelo nível das pessoas e instituições envolvidas a idéia da Fapeagro merece prosperar.

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