O mercado norte-americano ficou, sem dúvida, bem mais otimista sobre a recuperação da economia brasileira depois da visita a Nova York anteontem do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e do secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Mas não há o mesmo concenso no que se refere ao acordo firmado com os 11 bancos dos Estados Unidos e Canadá de manutenção, até 31 de agosto, das linhas de crédito comerciais e interbancárias aos mesmos níveis de 28 de fevereiro.
‘‘Foi um acordo de cavalheiros’’, afirma o diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Warburg Dillon Read, Michael Gavin. ‘‘Ainda existe perigo e não há uma garantia firme que o compromisso seja cumprido.’’
Gavin, que participou ontem da reunião com a equipe econômica brasileira na sede do Merrill Lynch, acredita que a certeza do ‘‘folego’’ dado ao Brasil pelos bancos ainda depende do cumprimento das metas do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O fato do índice de inflação INPC, medido pelo IBGE, ter ficado em 1,29% em fevereiro é um bom sinal, na opinião do diretor do Warburg Dillon Read. Com a desvalorização anual do real estimada em 70%, isso representaria uma taxa anualizada de inflação de 16,63%, ligeiramente menor que os 16,8% perseguidos pelo governo. ‘‘A dúvida é se o Brasil conseguirá conter a alta da inflação não só nos próximos meses, mas no próximo ano’’, diz Gavin.
Também presente na reunião na sede do Merrill Lynch ontem, o economista para mercados emergentes do Nations Bank Securities, David Roberts, avalia como um passo significativo o acordo com os bancos americanos e canadenses. Mas alerta ele: ‘‘O maior desafio são os bancos europeus, responsáveis por dois terços do total da exposição dos bancos estrangeiros ao Brasil.’’

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