Aplicativo tipo Uber chega aos caminhoneiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de maio de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A era da informática chegou na cabine dos caminhões. Aplicativos semelhantes aos de táxis e ao Uber miram os caminhoneiros autônomos para intermediar trabalhadores e cargas. A proposta, segundo responsáveis pelos aplicativos, é reduzir a ociosidade dos veículos, mas representante da categoria de caminhoneiros no Paraná considera difícil adaptação para os mais velhos e pouca oferta que realmente compense.
A proposta dos aplicativos é cadastrar caminhoneiros e oferecer cargas necessitando de logística, apostando que os profissionais tenham à mão um smartphone. Os negócios levam em conta estatísticas que apontam ociosidade de 40% da frota rodando nas estradas brasileiras.
O fundador e CEO da Truck Pad, Carlos Mira, diz ser o pioneiro do ramo no Brasil. Oriundo de uma família proprietária de uma empresa de logística, ele diz ter tido a ideia em uma palestra de que participou no Vale do Silício, sede de diversas empresas de tecnologia nos Estados Unidos, em 2011. "Decidi sair e fundar minha própria companhia quando meu irmão disse que os caminhoneiros não iriam usar", conta.
Expansão
A expansão foi bastante rápida: se há dois anos o aplicativo pulou de 200 para 1.000 caminhoneiros conectados pelo aplicativo, o número de downloads do programa já passa de 400 mil 99% em dispositivos Android e, ainda de acordo com Mira, são ofertados a eles cerca de R$ 1,5 bilhão em fretes mensalmente.
Para utilizar, o caminhoneiro baixa o aplicativo no celular e faz um cadastro indicando o tipo de caminhão e os destinos que deseja atender. Do outro lado, o dono da carga inclui no sistema a oferta e o valor proposto de frete que pode ser negociado, mas sempre a valores mais altos, diz Mira. "O caminhoneiro pode fazer a contraproposta mais alta, mas não permitimos leilões para baixo", explica.
Tanto o pagamento quanto as responsabilidades sobre a carga são negociados diretamente entre caminhoneiro e empresa, sem interferência da Truck Pad. A remuneração da empresa é de 0,5% do valor do frete.
Devido ao modelo virtual de operação, a empresa já recebeu o apelido de "Uber dos caminhões", mas Mira rejeita o título. "Nós não trazemos novos players para o setor. No caso do Uber, permitiu que quem não é taxista trabalhe como taxista", explica.
Empresa mais recente no segmento no Brasil, a Cargo X começou a operar no Brasil em novembro passado e já tem mais de 130 mil usuários cerca de 10% localizados na região de Londrina, afirma o diretor de transportes, Alan Rubio. Com proposta semelhante à TruckPad, a CargoX não teme ser chamada a "Uber dos caminhões", tanto que tem entre seus investidores o ex-fundador da empresa de transporte individual de passageiros Oscar Salazar.
Segundo Rubio, um caminhão vazio onera o frete, afeta o meio ambiente e lota as rodovias. A proposta é oferecer ao caminhoneiro fretes para entregar no ponto de chegada e, no retorno, outro no ponto de origem. "Com isso, esperamos reduzir o frente em até 30%", diz.
O diferencial da CargoX, diz Rubio, é que a empresa não somente faz a ponte entre o dono da carga e o caminhoneiro, mas também assume responsabilidades sobre o que é transportado. Para o caminhoneiro, o aplicativo é gratuito é o embarcador quem paga as taxas. Para os próximos dois anos, a empresa já projeta investimentos na casa dos R$ 100 milhões e, devido ao crescimento rápido, deve triplicar neste período a equipe de 25 pessoas.
Sindicato
Apesar da adesão de motoristas, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicom), Carlos Roberto Dellarosa, diz que os aplicativos são pouco usados pela categoria, principalmente devido à dificuldade dos mais velhos de se adaptarem aos smartphones, e porque a maioria não tem aparelhos com conexão à internet. "E os bons fretes não estão na internet", afirma.


