Aplicar hoje para gastar amanhã
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2011
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Essa é a premissa maior para quem deseja contar com uma reserva financeira na aposentadoria. O aumento da expectativa de vida e a estabilidade econômica têm estimulado o brasileiro a investir em um plano de previdência privada para a realização de projetos a curto, médio ou longo prazos, como a aposentadoria.
No primeiro trimestre deste ano, este mercado registrou crescimento de 16,62%, ante o mesmo período de 2010, de acordo com a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). A Brasilprev, por exemplo, que tem as agências do Banco do Brasil como principais meios de distribuição, superou a média do mercado e atingiu acréscimo de 62,6% em arrecadação total nos primeiros meses de 2011.
O superintendente de produtos da Brasilprev, João Batista Mendes Angelo, explica que existem duas opções de planos para Previdência Privada, o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), sendo que ambos proporcionam benefícios tributários e fiscais. Quem possui um PGBL pode abater suas contribuições até o limite de 12% da renda bruta anual tributável na declaração anual de imposto de renda, já no VGBL, a tributação do IR incidirá apenas sobre a parcela equivalente ao ganho do capital no momento do resgate ou no recebimento de benefícios.
O resgate dos recursos é feito na data de saída do plano, ou seja, no momento da realização do projeto de vida, o saldo pode ser resgatado total ou parcialmente. Também pode ser revertido em uma das formas de rendas mensais disponíveis: vitalícia ou temporária. Se houver necessidade, os resgates podem, ainda, ser realizados ao longo do período de acumulação.
O mercado de previdência privada oferece, também, planos para menores de idade a partir de contribuições mensais feitas por um adulto para um beneficiário, até que este complete 21 anos de idade. Após este período, o jovem pode usar os recursos acumulados imediatamente ou continuar contribuindo com o plano. Segundo Angelo, é possível adquirir um bom plano VGBL para o menor desembolsando apenas R$ 25 ao mês.
O economista Antônio Eduardo Nogueira, professor de Teoria Macroeconômica na Universidade Estadual de Londrina (UEL), orienta que o primeiro fator a ser levado em conta ao escolher a reserva financeira é a renda do investidor. Em segundo lugar, deve ser avaliado o nível de consumo que pretende ter e, por último, diversificar e não colocar tudo num único fundo. ''O percentual a ser reservado deve ter como base o nível de consumo que quer a longo prazo'', ensina.
Para o pequeno investidor, que tem renda de três a cinco salários mínimos, a poupança é a melhor opção, conforme o economista, ''porque tem liquidez praticamente imediata''. ''É importante se programar a pequeno, médio e longo prazos'', justifica. Além da previdência e poupança, outras opções de rervas financeiras citadas por Nogueira são os papéis do governo, imóveis e ações. ''A escolha a ser feita é uma questão que envolve renda, consumo consciente planejado e necessidade imediata ou não de utilizar o dinheiro que está sendo guardado'', resume.
A orientação do economista é avaliar o consumo de hoje e fazer um planejamento para sobrar dinheiro, independentemente da renda. ''É importante evitar juros e assumir dívidas longas porque isso acaba consumindo uma renda razoável e dificulta outras economias ou aplicações que possam ser feitas. Sobrando um valor, comece a fazer a sua poupança'', instrui.


