Aplicador deve prolongar os prazos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) começa a ser cobrada no dia 23, a principal estratégia do aplicador deve ser, desde já, o alongamento do prazo de suas aplicações.
Segundo o diretor-executivo de Tesouraria do Banco BMC, Cassio von Gal, grandes investidores estão comprando CDBs com vencimento em março de 1998, para fugir da incidência da CPMF. Para o pequeno e médio investidor, von Gal recomenda os fundos de 60 dias ou a caderneta trimestral, na qual há isenção da CPMF.
A rentabilidade final das aplicações é determinada pelo número de incidências do tributo. Por isso, o investidor deve tentar, sempre que possível, escapar do imposto. Uma das maneiras é depositar diretamente na caderneta cheque ou dinheiro recebidos de terceiros. Desse modo, não há débito em conta corrente, o fato gerador da cobrança da CPMF.
A partir do dia 23, o investidor deve fugir dos fundos de curto prazo, pois corre o risco de sacar menos do que depositou. Por isso, os bancos devem acabar com a aplicação automática nesses FIFs.
As instituições estão preparando opções aos FIFs de curto prazo. Alguns bancos estão criando aplicações lastreadas em títulos de capitalização. Depois de 30 dias, o dinheiro tem liquidez diária, e rende o mesmo que a caderneta. Contudo, não há muita novidade nisto. Outros bancos lançam caderneta atrelada à conta corrente. Quando o saldo fica negativo, o dinheiro da poupança é transferido para a conta. Evitam, com isso, eventual duplicidade de incidência como a que pode ocorrer com o cheque especial que avança no limite.
Na sexta-feira, o governo anunciou que haverá isenção de CPMF para o giro do capital estrangeiro nas Bolsas. Ainda está em estudos a isenção para a entrada e saída de recursos externos para os mercados de ações.
André de Oliveira Dias, da área de Mercado de Capitais do Banco BBA, diz que, se a entrada e a saída do dinheiro forem tributadas, parte dos negócios com ações brasileiras tende a ser feita no mercado nova-iorquino. Mas ele entende que a cobrança da CPMF nesses casos não deve afetar as boas perspectivas para o investimento em ações este ano. Segundo Dias, a perspectiva de aprovação da reeleição e de aceleração das privatizações indicam que 1997 deve ser um bom ano para as bolsas.


