Aplicações vão render mais com a CPMF reduzida
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de junho de 2000
Das Agências De São Paulo 
A partir de hoje, as aplicações financeiras vão render mais, apesar de os juros estarem relativamente estáveis. É que a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) teve a sua alíquota reduzida de 0,38% para 0,30% no sábado. O efeito da CPMF sobre as aplicações é indireto. O pedágio é sempre a conta corrente (depósito à vista), e apenas quando há débito. Os créditos (depósitos) não são tributados.
Acontece que aplicações como as dos fundos de investimento só são feitas com a passagem do dinheiro pela conta corrente. Mesmo no caso da poupança, em geral o dinheiro é transferido da conta corrente para a caderneta.
O efeito da CPMF, cuja alíquota é fixa, cresce à medida que os juros caem. É por isso que muitos vêem nesse tributo um empecilho a mais para a queda dos juros básicos, referência de quanto rendem as aplicações. Como a alíquota da CPMF foi reduzida em 0,08 ponto, diminui o impacto indireto sobre a rentabilidade das aplicações.
Para ter uma idéia melhor sobre quanto isso significa, imagine que alguém receba um crédito de R$ 100.000,00 e resolva aplicá-los a juros brutos de 1,4% ao mês. O horizonte da aplicação também seria de apenas um mês.
A aplicação acaba sendo de R$ 100.000,00, mas, como houve um débito de 0,38% (R$ 380,00) na conta corrente, é como se a pessoa estivesse aplicando R$ 99.620,00. Os juros brutos de 1,4% acabam caindo para quase 1%.
Com o dinheiro voltando para a conta corrente, não há CPMF, mas, se em seguida é emitido um cheque no mesmo valor, no final das contas o rendimento foi de 0,63%. Efeito da CPMF de 0,38%. Deve-se lembrar, porém, que as aplicações em geral, com exceção da poupança, são taxadas em 20% pelo Imposto de Renda. Conclusão: os juros de 1,4% caem para apenas 0,35% líquido.
Com a alíquota de 0,30%, o trânsito do dinheiro é o mesmo e as regras não mudam. Os juros brutos de 1,4%, entretanto, resultam em 1,10% com a CPMF, caindo para 0,79% se for dado um cheque em seguida à volta da aplicação para a conta corrente. Computando o IR, a caminhada do dinheiro faz os juros de 1,4% caírem para 0,51%, contra 0,35% com CPMF de 0,38%. Quando a aplicação é feita por mais tempo, o impacto da CPMF vai se diluindo, já que sua alíquota é fixa e os juros são crescentes.


