Aplicações podem perder para o avanço da inflação
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo O retorno da inflação preocupa os investidores. Embora a taxa básica, que é o piso dos juros e referência para a rentabilidade das aplicações, esteja em 22% ao ano, a constatação é de que, dependendo do indicador de comportamento de preços adotado para comparação, o rendimento obtido em alguns produtos de renda fixa está negativo.
Em vez de correção equivalente à inflação mais juros, o capital ancorado pode nem sequer estar obtendo atualização de valor suficiente para manter a capacidade de compra. Uma percepção que, em geral, estimula o investidor frustrado a sacar o dinheiro para gastá-lo em compras.
Mas cabe avaliar, antes de tudo, que índice de inflação é o mais adequado para apurar a margem de juro real, acima da inflação, embutida na rentabilidade. Se não por outros motivos, porque existe ampla disparidade entre eles. A medida pelo IGP-M acumula 20,77% em 11 meses do ano; o IPCA, referência de meta inflacionária, 10,14%, no período, estimando-se uma inflação de 2,95% em novembro; e a calculada pelo IPC, da Fipe, 7,71%, projetando-se 2,43% no mês passado.
O risco do investidor está na possibilidade de o aumento de preços no atacado vazar para o varejo. Isso não assusta o diretor-executivo da Credit Lyonnais Asset Management, Fábio de Aguiar Faria. Para ele, a alta da inflação é fenômeno transitório, como ocorreu em 1999, na esteira da desvalorização cambial, e o investidor poderá compensar o juro real baixo ou negativo em alguns meses mais à frente.


