OfertaAumento da oferta derruba o preço do boi. Pecuarista considera boas as taxas do mercado financeiro A boa remuneração do mercado financeiro, após pacote econômico anunciado na semana passada, está refletindo no mercado do boi gordo. Pecuaristas estão procurando vender mais rapidamente para aproveitar as taxas de juros. A arroba do boi hoje se encontra em R$ 26,00, para pagamento em 30 dias, ‘‘mas tendo em vista as mudanças na economia, os produtores estão desovando seus estoques para poder aplicar o dinheiro, aproveitando as boas taxas de juros’’, disse ontem o superintendente do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne), Péricles Pessoa Salazar. Por esta razão, ele acha que os preços tendem a cair para R$ 25,00/arroba.
O superintendente também informou que os preços da carne, no atacado e varejo, andaram caindo por falta de demanda e os preços do boi caíram só que não na mesma proporção que a carne. ‘‘Agora, com a nova conjuntura de juros mais elevados - disse - começa a reversão no mercado do boi gordo’’.
‘‘Está havendo uma troca de ativos por recursos financeiros por parte dos produtores. A tendência é cair mais, ao redor de R$ 25,00’’, previu Péricles Salazar.
Outro aspecto que concorre para derrubar o preço do boi gordo é o início da safra, beneficiada este ano pelas boas condições de pasto. Os próprios pecuarista costumam dizer que não é interessante ‘‘carregar estoque’’ de bois gordos na invernada.
O consumo de carnes está estabilizado, não só a bovina como de aves e suínos. Diversos fatores mantêm baixa a demanda de carne entre, eles a redução da massa salarial. As empresas não estão concedendo reajustes na mesma proporção que a inflação. A retração não ocorre apenas no consumo de carnes e proteínas animais ou vegetais, mas, também, no consumo de bens em geral. Mas Péricles Salazar acha que o item alimentos ainda será o menos prejudicado.
Exportação ameaçada Perguntado se o Paraná terá chance, ano que vem, de ganhar o mercado internacional, o superintendente do Sindicarne disse que o Estado está atrasado na contratação de médicos-veterinários que vão executar o programa de coleta de sangue para exame de sorologia. Os exames são para constatar a ausência de virus da febre aftosa no Paraná e, a partir daí, obter da Organização Internacional Epizootias (sediada em Bruxelas) a declaração de área livre de aftosa com vacinação. Sem esse reconhecimento o Paraná não entra no exigente mercado da UE. O essencial é cumprir um programa que evidencie um bom nível de controle. Isto passa pela contratação de profissionais (100 médicos-veterinários e 40 engenheiros agrônomos). Como a Seab não avança neste ponto, o Paraná corre o risco de não obter o reconhecimento internacional. Para se ter idéia da lentidão do governo em relação ao programa, basta lembrar que a autorização para contratar os profissionais ocorreu no início de abril, sete meses atrás.

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