A incerteza que ronda a economia brasileira e a expectativa de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) devem fazer com que o conservadorismo prevaleça no mercado de investimentos em 2014. Depois da forte queda do Índice Bovespa (Ibovespa) e de outras aplicações variáveis em 2013, analistas afirmam que não há perspectiva de mudanças no cenário nacional e que, diante da alta nos juros, os fundos atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e à Selic voltaram a ser boas opções.
O País passou a conviver em 2013 com a desconfiança de investidores pelos seguidos resultados ruins da produção, pela pressão inflacionária e pela política fiscal pouco eficiente. Ainda, o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), passou a reduzir os estímulos monetários ao país diante dos primeiros passos para sair da crise de 2008, o que causou a fuga de capital do Brasil e de outros países para os EUA, elevando a cotação do dólar. Cenário que, até o fim das eleições, em outubro, deve continuar igual.
No ano passado, quem decidiu aportar recursos na Bovespa sofreu com uma perda média de 15,49%, conforme dados da consultoria Bullmark Financial Group. Fundos imobiliários, também comercializados na Bolsa, caíram 12,66%. "Os fundos imobiliários passaram por um momento de ajuste depois da alta valorização em 2012. O aumento da Selic fez com que o prêmio de risco exigido pelos investidores aumentasse, fazendo com que a exposição dos fundos nas carteiras diminuíssem", diz o gerente de vendas da Bullmark em Londrina, Rodrigo Milanez.
Como houve seguidas elevações da taxa básica de juros, a Selic, de 7,25% em abril para 10% em dezembro, e a perspectiva é de que o índice feche o ano em 10,50%, a sugestão dos analistas são aplicações de renda vinculadas ao CDI ou à Selic. Já no ano passado, por exemplo, ambos ficaram acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, que fechou o ano em 5,91%. O CDI teve alta de 8,04% e as Letras Financeiras do Tesouro, baseada na Selic, de 8,21%.
Já o dólar, que rendeu 14,64% no ano passado, pode não repetir o mesmo resultado. Assim como o ouro, que teve queda de 17,35% na cotação do ano passado e praticamente corroeu os ganhos de rentabilidade de 2012. Para o professor de finanças Keyler Carvalho Rocha, da Fundação Instituto de Administração (FIA), a estimativa é de que o dólar se valorize neste ano, mas que "não seja grande coisa".
Rocha lembra ainda que é preciso ficar atento às taxas de administração e aos percentuais de desconto pelo Imposto de Renda sobre os fundos de renda fixa bancários, que podem impedir qualquer ganho além da inflação. Por isso, também sugere investimentos ligados ao CDI ou à Selic. Ele diz que há possibilidade de se conseguir rendimentos muito próximos aos 10% da Selic em um ano. "Depende apenas da negociação, do valor e do tempo de aplicação."
O chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski, afirma que o ideal é não aplicar todos os recursos em somente um tipo de investimento. "Cada um tem de avaliar a sua situação, quanto tem para investir, quanto tempo pode demorar, porque existem casos em que a alíquota paga pelo Imposto de Renda decresce em relação ao aumento do prazo."

Como aplicar


Os analistas recomendam que os investidores leigos procurem uma consultoria autorizada pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM), para montar um planejamento conforme o perfil de risco de cada um. Cada consultoria cobra de forma variada e costuma ter planos para quem quer investir a partir de R$ 10 mil.

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