Ler o regulamento, questionar o administrador sobre os riscos da aplicação e nunca concentrar todo o dinheiro num só fundo de investimento. Essas são algumas das principais recomendações dos especialistas para que o investidor evite experiências desagradáveis, especialmente se for aplicar em derivativos. O sócio-diretor da BankBoston Asset Management, Fábio de Oliveira, entende que ‘‘fundo de derivativos é para quem tem muito dinheiro’’. Além disso, ele ressalta que só se deve aplicar parte dos recursos num fundo como esse.
Marcelo Giufrida, diretor da Anbid, destaca que é preciso ter em mente que risco e retorno estão sempre juntos, ou seja, uma aplicação com rendimento expressivo costuma ser bastante arriscada. E ele diz que o mais indicado é aplicar progressivamente, em vez de fazê-lo de uma vez. Assim, é melhor investir um pouco todo mês do que fazer grandes aplicações numa só tacada.
O diretor de Renda Variável do Banco Icatu, Marco Antonio Oliveira, diz que, na hora de comprar um imóvel, as pessoas costumam ler os contratos com atenção, mas não fazem o mesmo quando vão aplicar num fundo. ‘‘E muitas vezes o investidor emprega mais dinheiro numa aplicação do que na compra de uma casa’’. Oliveira recomenda ainda que o aplicador peça todas as informações sobre o fundo, de forma que fique claro quais são os limites operacionais da aplicação e seus riscos.
Analisar a rentabilidade por períodos mais longos é outra maneira de julgar o fundo. Mas é preciso lembrar que, embora esses parâmetros sejam úteis, eles não servem como garantia de desempenho futuro, pois medem a atuação passada da aplicação.
Eespecialistas lembram constantemente que o investidor não deve olhar somente a rentabilidade passada de um fundo antes de decidir-se pela aplicação: eles frisam que também é importante analisar outros indicadores, como o Índice de Sharpe, que mede a relação entre o risco e o retorno da aplicação.
No entanto, uma avaliação cuidadosa desses índices no período anterior ao da desvalorização do real mostra que mesmo fundos com bom Sharpe tiveram desempenhos catastróficos após a perda de valor do real. Isso ocorre porque o Sharpe mostra a relação risco/retorno do passado do fundo, o que não garante bom resultado no futuro. O Marka Nikko Derivativos é um exemplo: o índice Sharpe foi de 0,31 (bom desempenho para um derivativo) entre agosto e dezembro de 98. Mesmo assim, amargou perda de 43,19% em janeiro.

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