Pessoas que investiram parte de seu Imposto de Renda (IR) no Fundo 157, até 1982, podem resgatá-lo junto ao banco em que efetuaram a aplicação. Porém muita gente nem sabe que possui essa reserva de dinheiro. O advogado Douglas Castilho foi ao banco e descobriu que sua mãe podia resgatar o que seu pai, já falecido, havia investido na época. ''Estamos entrando com a documentação para liberar o crédito. O banco já disse que são necessários apenas alguns documentos porque meu pai já é falecido'', contou Castilho, que deverá resgatar pouco mais de R$ 100 ainda hoje.
A assessoria de comunicação da Comissão Mobiliária de Valores (CVM), que fiscaliza o fundo, informou que hoje ainda existem 3.417.869 cotas que totalizam R$ 584 milhões. Uma pessoa pode ter mais de uma cota, se na época ela tinha conta em mais do que uma agência, porém a maioria dos valores dos resgate tem sido irrisória. A média de resgate tem sido em torno de R$ 150.
Criado em 1967 com a finalidade de alavancar o mercado de ações, o Fundo 157 dava a opção aos contribuintes de aplicar parte do IR (2%) no fundo, permitindo que o investidor, ao invés de pagar o imposto, adquirisse quotas de fundos administrados pelo banco de sua escolha. O período em que o fundo recebeu investimentos foi de 15 anos, de 1967 a 1982, quando foi fechado para novas aplicações.
Para Douglas Castilho, as pessoas não sabem que tem o dinheiro aplicado e por isso, acha interessante divulgar. ''A última comunicação da CVM foi em 1996. De lá para cá não houve mais comunicado'', enfatizou o advogado. Em 1996, a CVM localizou mais de 2,7 milhões de investidores com dinheiro no 157 e encaminhou cartas para cada um deles, informou a assessoria, admitindo que depois desta data não houve nehum outro comunicado endereçado ao cotista.
Para efetuar o resgate, a assessoria de imprensa da CVM informa que as pessoas devem se dirigir ao banco em que foi feita a aplicação e apresentar o extrato referente ao fundo, o qual foi emitido pela Receita Federal na época em que foi feito o investimento. Outro detalhe, a aplicação, mesmo feita em uma instituição financeira que não existe mais, continua disponível aos cotistas. ''Caso o investidor não se lembre em qual banco efetuou a aplicação, não saiba se tem dinheiro depositado, ou tenha se desfeito do extrato, é só entrar em contato com a CVM, através do 0800-241-6161 ou da site www.cvm.gov.br'', explica a assessoria de comunicação.
Até 1987, a instituição que fiscalizava o fundo era o Banco Central e, depois, passou a ser para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Atualmente, há um órgão governamental específico para fiscalizar e regularizar o mercado de ações, diferentemente de quando estava em vigor o fundo 157. Devido às características da legislação e da fiscalização pouco rigorosa da época, o fundo praticamente não deu retorno aos investidores. No final das contas, as taxas de administração cobradas corroeram os depósitos.

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