Empresários e entidades que integram o Arranjo Produtivo Local (APL) de Tecnologia da Informação estão empenhados em fortalecer a imagem de Londrina como pólo de referência na área. O APL foi criado em novembro do ano passado após um estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes ) que identificou o potencial das empresas da região, no eixo entre Cornélio Procópio e Apucarana.
Os membros do APL, todos voluntários, reúnem-se nas manhãs de sexta-feira e discutem ações para promover a marca de Londrina no cenário nacional e internacional na área de tecnologia. ''Temos um objetivo, que é sermos reconhecidos como pólo de referência em tecnologia da informação, onde inovação e integração gerem negócios, resultados. Definimos um planejamento estratégico, e a primeira tarefa é identificar quais ações devemos executar para aproveitar o cenário e alcançar nossa visão de futuro'', esclarece o empresário Marcus Friedrich von Borstel, presidente do APL.
Com o apoio do Sebrae, o grupo contratou um instituto de pesquisa para identificar as empresas que trabalham com Tecnologia da Informação em Londrina. De acordo com o consultor do Sebrae, Joel Franzim Junior, o objetivo do levantamento é criar um guia de empresas que possam atender a demanda de serviços na área de TI, facilitando a negociação entre fornecedor e consumidor.
''Precisamos saber quantas empresas temos aqui na cidade. Quem são, o que produzem, quem são os clientes que ela atende. A gente quer aproximar o fornecedor do consumidor de uma forma estruturada, sinérgica'', explica Franzim Junior.
O consultor do Sebrae garante que, mesmo antes da concretização da pesquisa, a referência do APL de Londrina já resulta em bons negócios. ''Recebemos a solicitação de uma grande empresa de Goiânia, divulgamos a demanda exigida por e-mail, e em uma hora uma empresa de Londrina fechou contrato'', conta. ''A gente espera que se torne rotineiro, mas para que isso aconteça, precisamos saber quem são as empresas locais. Caso contrário, não tem quem indicar. É uma vitrine dos produtos locais'', completa o consultor.
Para o coordenador da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), Paulo Sendin, o interesse dos empresários em integrar o arranjo produtivo local traz retorno tanto para as empresas quanto para a cidade. ''Tem um reflexo no desenvolvimento da cidade, porque gera renda, impostos. Facilita também o acesso a políticas públicas específicas no governo federal. Os APLs de móveis de Arapongas e de mandioca de Paranavaí conseguiram muitos recursos depois que se organizaram'', exemplifica Sendin.
A Caixa Econômica Federal já disponibilizou linhas de crédito com juros diferenciados para empresas pertencentes ao APL de Tecnologia da Informação de Londrina. ''Este recurso resulta em investimento na empresa, tanto em melhoria de estrutura quanto em capital de giro. E o acesso fica muito mais facilitado por ele compor o APL. Mas é importante que estas empresas, a partir do momento que venham buscar aportes, também contribuam com o arranjo. Não de forma financeira, mas através de idéias, para somar competências'', analisa Franzim Junior.
Na avaliação de Paulo Sendin, da Adetec, pensando no grupo todo mundo sai ganhando. ''No fundo, você junta empresarios que são competidores. Por outro lado, as regiões que estão se desenvolvendo no mundo inteiro são as que conseguiram se articular internamente. A briga não é entre empesas, mas entre cidades e regiões. Uma boa empresa em região organizada tem perspectiva de mercado muito maior do que simplesmente uma boa empresa em região desorganizada. O APL extrapola a questão individual da empresa justamente pela criação da imagem de uma região'', finaliza.

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