Agência Folha
De São Paulo
O ouro está longe de perder seu valor como ativo financeiro, apesar da constante queda de seu preço no mercado internacional. Essa é a opinião da CTA (consultant trader adviser, consultora de negócios) Amyra El Khalili, do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. De acordo com Amyra, que chegou a negociar até 2 toneladas do metal por dia na década de 80, o metal ainda é um forte ativo em razão da fácil conversibilidade e do fator cultural. ‘‘O ouro é uma commodity facilmente conversível, ou seja, é aceita em qualquer lugar, 24 horas por dia’’, diz Amyra.
Além disso, segundo a economista, o ouro é historicamente e culturalmente um objeto de valor. ‘‘O ouro é tido como objeto de valor há 7.000 anos. Não é possível mudar isso de uma hora para outra’’, explica Amyra. O fato, porém, é que o metal vem gradualmente perdendo terreno para outros investimentos e, consequentemente, se desvalorizando. Em janeiro de 1980, logo após a crise do petróleo, o ouro chegou a valer US$ 875 a onça-troy (31,1 g) no mercado internacional. Hoje, o metal está em torno de US$ 257,70. No início do ano, estava a US$ 288. A queda do ouro se acentuou a partir de maio, quando o governo britânico anunciou que venderia 415 toneladas de suas reservas, de 700 toneladas.
Motivo: o país queria se prevenir contra a desvalorização contínua do metal no mercado internacional. Desde então, porém, o ouro acentuou sua queda, acumulando desvalorização de 11%. O Reino Unido realizou o primeiro leilão de 25 toneladas de ouro na terça-feira passada, fazendo com que o metal atingisse o menor preço em 20 anos (US$ 257,30 a onça-troy). A venda foi a primeira de uma série de leilões programados pelo país, que quer converter ouro em reservas de dólar e euro. O leilão promovido pelo Reino Unido teve não só impacto econômico, mas também um impacto psicológico sobre o mercado. Historicamente, o país era visto como um dos ‘‘defensores’’ do metal e foi aquele que mais guardou ouro como reserva, ao lado da Rússia. Hoje, o Reino Unido, a Suíça e o FMI (Fundo Monetário Internacional) estão anunciando que vão se desfazer de suas reservas de ouro, o que ameaça ainda mais o brilho do metal.

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