Apesar da queda do dólar, diversificação é desaconselhada
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Adriana Chiarini<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Mesmo com o enfraquecimento do dólar, ainda não é o momento de o Brasil passar a investir suas reservas em moedas de países emergentes, nem de criar uma moeda de reserva internacional. A opinião é majoritária entre especialistas entrevistados pela Agência Estado. O tema das moedas e reservas estava entre os assuntos tratados na reunião dos chefes de Estado e governo dos países-membros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) ontem na Rússia.
Para o ex-presidente do BC e sócio fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, a China pode diversificar mais as suas aplicações de reservas porque elas estão muito acima das necessidades da gestão da política cambial daquele país. Mas este não é o caso do Brasil. As nossas reservas estão longe do nível chinês, e, portanto, devem que ser investidas como reserva de liquidez, ou seja, de forma conservadora e em investimentos de alta liquidez. Isso significa que a principal decisão diz respeito à composição de moedas., escreveu Fraga em e-mail à Agência Estado.
Para ele, considerando a questão da liquidez e o perfil da dívida do Brasil, as reservas internacionais devem ser dominadas por dólar e euro e não há muito espaço ainda para as (moedas) emergentes. No entanto, acrescentou, na medida em que o peso das emergentes for aumentando, os percentuais devem ser revisados.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, também destacou os mesmos aspectos de liquidez e perfil da dívida. Acho que não vale a pena investir em moedas de emergentes porque elas não têm liquidez e o Brasil tem a dívida quase toda em dólar, disse. Mesmo o fato de o Brasil estar atualmente em posição de credor em dólar, não muda a conclusão de Freitas Gomes.
O economista não vê futuro em promover o comércio entre os emergentes com suas próprias moedas, a não ser com países com grande volume de comércio bilateral como a Argentina e a China. Mas a China tem muito dólar e interessa para ela usar, disse.
O economista é enfático em descartar a possibilidade de criação de uma nova moeda de reserva internacional. Isso não existe. O ex-diretor do Banco Central e sócio da Mauá, Luiz Fernando Figueiredo; o ex-ministro do Planejamento e organizador do Fórum Nacional, João Paulo dos Reis Velloso, e o ex-presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro) e sócio da Tendências Consultoria, Nathan Blanche, são outros que não acreditam na possibilidade de uma nova moeda para reserva internacional.
Os Estados Unidos ainda é a maior economia do mundo, com 25% do PIB mundial. Cabem os quatro Brics no PIB dos EUA, disse Blanche, que, no entanto, foi o único favorável a maior diversificação dos investimentos das reservas. Ele, Freitas Gomes e Figueiredo veem uma tendência de desvalorização do dólar. Para Figueiredo e Blanche, porém, o motivo é essencialmente positivo, de volta à normalidade. Em toda a crise, o dólar se valorizou bastante. Agora, é a contrapartida daquele movimento. É natural que haja desvalorização do dólar. É uma sinalização de que as coisas vão bem, disse Figueiredo.
Para ele e o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, o encontro dos países do Bric tem importância fundamentalmente política, de marcar presença e ganhar espaço no cenário político mundial diante do enfraquecimento do G-7. Reis Velloso considera que como grupo, os Brics podem fazer parte da solução.
O ex-ministro acha possível que haja algumas trocas comerciais entre os países do Bric sem o uso do dólar, mas não acredita que seria positivo para o Brasil investir suas reservas em moedas dos demais países do grupo. Não acredito nessa história de investir em moedas de país emergente. Eles não têm cacife e nem terão tão cedo, afirmou o ex-ministro.


