A decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de reduzir a produção em 1,5 milhão de barris por dia em fevereiro deste ano não terá muito impacto na cotação do petróleo no mercado internacional. A avaliação é de um graduado funcionário do governo brasileiro, ao explicar que os preços já foram ajustados antes da decisão do cartel formado pelos países produtores de petróleo.
A expectativa do governo federal é de que o barril Brent datado fique entre US$ 26,00 e US$ 23,00. Caso o cenário atual seja mantido, em abril, quando for realizado o primeiro ajuste de preços, o litro da gasolina ficará mais barato entre 8% e 10% nas refinarias da Petrobras. Para os consumidores, a economia ficaria entre 6,4% e 8%, já que o preço na bomba representa 80% do preço cobrado nas unidades de refino.
Os cálculos do governo já foram mais favoráveis aos consumidores. Na primeira semana deste mês, a projeção de redução do preço da gasolina era de 16% na refinaria, o que representaria uma diminuição de preço de até 12% para o consumidor. O ajuste valerá também para o diesel combustível e o gás de cozinha (GLP).
O analista setorial da consultoria Tendências, Fábio Silveira, considera o corte de produção de 1,5 milhão de barris de petróleo diários, decidido ontem pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com uma medida preventiva. ‘‘Este corte é um ajuste frente ao aumento dos estoques com a desaceleração da economia americana e a própria contração no consumo mundial frente às altas ocorridas antes’’, afirmou.
Para Silveira, mesmo com o corte, no primeiro semestre deste ano, os estoques deverão continuar crescendo cerca de 1,3 milhão de barris ao dia. ‘‘O importante é que o preço não fique acima de US$ 26. Até a próxima reunião, em março, o preço deve ficar entre US$ 25 e US$ 26’’, salienta o economista. Segundo ele, a Opep está tentando evitar que o preço não fique abaixo dos US$ 22, o que prejudicaria a rentabilidade dos negócios.
Apesar de prever uma possível alta para até US$ 26, Fábio Silveira não descarta a hipótese de o preço ficar abaixo de US$ 25, chegando ao limite de US$ 24. ‘‘É apenas um cenário possível’’, disse. Silveira também considera que o corte não impede a queda prevista pelo governo para a gasolina em abril, entre 8% e 10%.
Ontem o preço do petróleo caiu 0,69% para US$ 29,60, mesmo com o anúncio de corte de 1,5 milhão de barris na produção diária em fevereiro.

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