A fuga de dólares do País não deve fazer com que o governo brasileiro se decida pela desvalorização cambial ou por um pacote fiscal imediato, segundo opinião dos analistas da consultoria Tendências. A consultoria realizou uma ‘‘conference call’’ ontem para debater a atual situação do Brasil diante da crise mundial. Para Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, todas as medidas do governo indicam que a política cambial deverá ser mantida. Segundo Loyola, as taxas de juros básicas do País devem fechar o ano em até 19%.
Já para o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, o principal efeito da crise mundial sobre a economia brasileira vai recair na queda de mercado para exportações e nos preços das commodities. Ele também acha pouco provável que o governo adote um pacote de ajuste fiscal depois das eleições. Para Mailson, a fuga de reservas deve ser atenuada pela continuidade da política de desvalorização cambial gradual e privatizações.
Para o economista José Márcio Camargo, uma saída prolongada de reservas em torno de US$ 10 bilhões por mês é insustentável. Mesmo assim, ele também descarta a desvalorização cambial. ‘‘Se o governo desvalorizar o câmbio terá que aumentar os juros, o que seria ruim’’.
AtrativoA isenção do imposto de renda nas aplicações de fundo de renda fixa para capital estrangeiro provocará uma perda de receita de R$ 140 milhões, segundo estimativas de fontes da área tributária do governo. Esta estimativa toma como base o saldo destas aplicações até o dia 31 de julho, que era de R$ 9 bilhões, e também o fato de que a medida tem vigência até março do próximo ano.

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