São Paulo Criado há quase 30 anos, o código de barras não está sob ameaça de desaparecer. Ele terá longa vida, apesar da chegada da etiqueta inteligente (smart tag). A opinião é do especialista Fábio Grossmann, um dos profissionais que ajudaram a normatizar a utilização do código de barras no Brasil, nos anos 80.
Segundo ele, o código de barras tem custo muito baixo e já está muito disseminado. Já a etiqueta inteligente é uma tecnologia cara e deve tornar-se realmente necessária para as empresas que precisam identificar o número da série dos produtos fabricados e acompanhar a sua localização. ''A etiqueta inteligente pode abrir novas oportunidades, mas sem substituir o código de barras'', diz.
Para Grossmann, o uso da smart tag pode render muitos avanços para a logística. O chip pode ser utilizado, por exemplo, nas caixas que transportam os produtos. ''No entanto, o seu uso em cada item fabricado, como ocorre atualmente com o código, já é mais difícil de ocorrer'', acredita.
Grossmann é autor do livro ''Código de Barras - Da Teoria à Prática'', editado pela Nobel, e afirma que existem mais de 20 tipos de códigos atualmente. Os códigos dos produtos fabricados são identificados em etiquetas de barras, que são lidas por um equipamento a laser. Com os dados inseridos num computador, é possível ter grau máximo de segurança na armazenagem e localização dos produtos.
A etiqueta inteligente é um chip que dispensa a leitura óptica. A transmissão dos dados é feita por radiofrequência. Já o código de barras é um sistema utilizado desde 1973 nos Estados Unidos para o controle de supermercados e magazines, mas que vinha sendo desenvolvido desde os anos 60 naquele país. Segundo Grossmann, o código evoluiu junto com o computador. No Brasil, o sistema chegou com atraso. ''Nós começamos a pensar no assunto em 1984'', conta. A indústria alimentícia foi a vanguarda do código de barras no País. Mas, segundo Grossmann, foi o setor do varejo que começou a exigir o sistema e lutar pela sua normatização no Brasil.
Segundo Grossmann, a indústria de bens de consumo, que se encantou pelo código de barras, também deverá estimular o uso da etiqueta inteligente. O custo unitário atualmente da smart tag é de 1 dólar por etiqueta, o que inviabiliza a sua instalação em produtos baratos. ''Já o custo do código de barras é apenas o que se gasta de tinta para imprimi-lo'', compara Grossmann. Por causa disso, ele acredita que as duas tecnologias devem conviver durante muitos anos.

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