Apesar da crise, montadoras prometem investimentos
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domingo, 11 de janeiro de 2009
Fábio Amato<BR> Folha Press 
São Paulo - Apesar da queda nas vendas de veículos motivada pela crise financeira internacional e dos cortes de produção nos últimos meses para reduzir estoques, as quatro maiores montadoras instaladas no Brasil -Volkswagen, Fiat, GM e Ford - afirmam que vão manter os investimentos programados para os próximos anos no país.
Na Fiat, o investimento de R$ 6,4 bilhões começou em 2008 e será finalizado em 2010. Os recursos serão divididos entre plantas no Brasil e na Argentina -sendo cerca de R$ 5 bilhões no Brasil. Em Betim (MG), onde fica a principal unidade da Fiat no país, o dinheiro financiará o aumento da capacidade de produção - 700 mil para 800 mil unidades por ano.
A GM diz que mantém o programa que prevê aporte de US$ 1,5 bilhão no país (cerca de R$ 3,4 bilhões) entre 2008 e 2010. Aproximadamente US$ 900 milhões (R$ 2 bilhões) estão sendo destinados ao desenvolvimento de novas famílias de veículos, a serem produzidos em São Paulo. Outros US$ 200 milhões vão ser aplicados na construção da fábrica de motores em Joinville (Santa Catarina).
A direção da Volkswagen também diz que não vai rever investimentos. A multinacional afirma que serão aplicados cerca de R$ 3,2 bilhões entre 2007 e 2011. Por ''estratégia'', a empresa não divulga como os recursos serão usados. Diz apenas que destinam-se ao desenvolvimento de novos produtos.
O cronograma da Ford prevê a injeção de R$ 3,1 bilhões a partir de 2007 até 2012. Entre os projetos, está a ampliação da capacidade da fábrica de motores em Taubaté (SP) e o desenvolvimento de novos produtos, entre carros e caminhões.
''As montadoras devem manter os investimentos porque eles estão voltados para o desenvolvimento de novos produtos - o que é necessário para que elas se mantenham competitivas - ou para novos processos visando reduzir os custos'', disse o ex-presidente da Anfavea (associação que reúne as montadoras) André Beer.
Para Roberto Karam, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica do Paraná, que abrange o setor automotivo no Estado, os investimentos estão sendo mantidos porque, ao serem planejados entre 2007 e o ano passado, foram baseados em um crescimento ''gradual''.
''Em 2008, tivemos um crescimento assustador, que se revelou uma bolha. Vendeu-se mais, mas, quando ele não se sustentou, veio o desemprego''. Karam disse que o setor voltará às demandas médias registradas até o primeiro semestre de 2007, antes do boom na produção e das novas contratações.


