Apesar da crise, commodities são rentáveis
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Apesar da queda nos preços das commodities agrícolas no cenário internacional, analistas apontam para um mercado firme durante este ano. Isso quer dizer que, embora as cotações estejam em queda, projeções indicam que os preços continuarão acima da média histórica, puxados, principalmente, pelos baixos estoques mundiais. Durante esta semana, os custos da soja, do trigo e do milho caíram cerca de 15% na Bolsa de Chicago (EUA). No mercado interno, por enquanto, apenas a soja registrou queda: de US$ 32 (negociado no início deste mês) para cerca de US$ 26 (ontem) na Bolsa de Mercadorias e Futuros.
A queda nas cotações foi influenciada pela crise no mercado financeiro dos Estados Unidos, que atingiu um dos seus ápices na semana passada. A partir de então, os fundos - que investiram em commodities buscando maior rentabilidade e segurança - passaram a vender esses papéis para cobrir prejuízos provocados por outros setores econômicos. ''A crise americana já é dada como certa mas, agora, o mercado quer saber quão profunda ela é e quanto tempo será gasto para corrigí-la'', explica Fábio Renato Turquino Barros, gerente de Agroenergia da AgraFNP (órgão privado de análises do agronegócio).
No entanto, ele ressalta que os fundamentos do mercado agrícola são bons. ''A tendência é que o mercado continue firme mas os preços não devem retornar ao 'inchaço' atingido no início do ano, a não ser que a safra americana seja atingida por problemas climáticos'', afirma. O analista da New Adge Futures de Nova York, Vinícius Ito, diz que a tendência é que as commodities permaneçam como um dos investimentos mais rentáveis até o final deste ano. Segundo ele, o atual cenário das commodities é reflexo da falta de oportunidade de investimentos em outros mercados como, por exemplo, a crise de credibilidade do mercado acionário.
O operador de mercado Carlos Boszczovski, da Gradual Corretora de Londrina, acrescenta que o atual cenário é reflexo de ''efeitos sazonais para correção de preços''. ''Com base na intenção de plantio da safra americana, a tendência é que os preços da soja fiquem estáveis, já os preços do milho podem subir um pouco. O que está ocorrendo é a correção dos preços que estavam artificiais'', comenta. Segundo ele, as commodities devem voltar a cotações mais realistas. ''Os altos preços estavam causando inflação na China e em muitos países'', observa.
Além disso, ele lembra que as cotações do petróleo e dos metais também estão caindo o que, na sua avaliação, mostra que os altos preços do combustível fóssil eram fruto de especulação do mercado. ''As ações da Vale e da Petrobras também estão caindo na Bovespa'', diz Boszczovski. Para Vinícius Ito, o ouro vem tendo destaque por conta de seu potencial inflacionário e pela significativa demanda pelo metal. ''Com o crescimento exponencial da demanda, a capacidade está consideravelmente menor do que o potencial dessa demanda. Muita gente está vendo isso e está comprando, se antecipando a esse movimento'', explica. (Colaborou Agência Estado)


